O deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Júlio Garcia (PSD), eleito deputado federal nas eleições de 2026, fez uma avaliação do resultado das urnas durante entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias, nesta quarta-feira (7). O parlamentar recebeu 114.391 votos e classificou a votação como extremamente positiva.
Segundo Garcia, o desempenho ficou dentro da projeção estabelecida durante a campanha. “Nós planejávamos fazer entre 90 e 120 mil, fizemos 114. Foi uma eleição extremamente organizada, uma eleição bem planejada e o resultado foi o resultado esperado, satisfatório”, afirmou.
O futuro deputado federal também avaliou que a forte nacionalização da eleição prejudicou partidos que não estavam diretamente alinhados aos dois principais polos da disputa presidencial. Na avaliação dele, apesar do desempenho do PSD abaixo do esperado, sua votação individual demonstrou a consolidação de sua base política.
Ao comentar a votação em diferentes cidades, Júlio Garcia destacou o resultado obtido em Lauro Müller, onde recebeu mais de 1,2 mil votos. Para o parlamentar, o desempenho ganha ainda mais relevância diante do cenário político enfrentado pelo partido no Estado e no país.
“Furar essa bolha e fazer as votações que eu fiz em diversos municípios, como por exemplo Lauro Müller, sem dúvida nenhuma é uma grande vitória e motivo de comemoração”, declarou.
Garcia afirmou que o resultado também aumenta a responsabilidade com os municípios que contribuíram para sua eleição. Ele reiterou o compromisso com Lauro Müller e com as lideranças que apoiaram sua candidatura.
“Eu quero aqui reiterar o meu compromisso com Lauro Müller, o meu compromisso com os líderes que me acompanham nessa caminhada e dizer que nós vamos continuar trabalhando pelo município”, afirmou.
Entre as pautas que pretende defender em Brasília, o parlamentar citou a defesa das pessoas com deficiência e o fortalecimento do municipalismo. Para Garcia, é necessário ampliar a parcela de recursos que chega diretamente aos municípios.
“Eu sou um defensor do municipalismo porque é no município que acontecem as coisas. O país tem uma concentração de recursos muito grande em Brasília e é preciso desconcentrar esses recursos”, argumentou.
Na avaliação do futuro deputado, os municípios conhecem melhor as próprias necessidades e, por isso, deveriam ter maior autonomia para definir a aplicação dos recursos.
“Certamente o dinheiro repassado ao município, o município sabe o que fazer. Quando o Governo Federal decide o que é para fazer no município, lá de Brasília, distante, sem conhecer a realidade, não funciona”, disse.
Outro assunto abordado na entrevista foi o fortalecimento da representação política do Sul de Santa Catarina na Câmara dos Deputados. Júlio Garcia destacou que a região terá sete deputados federais entre os 16 representantes catarinenses.
O parlamentar atribuiu o resultado à competitividade dos candidatos ligados à região e avaliou que a força eleitoral precisa ser transformada em atuação conjunta em favor dos municípios do Sul.
“Nós fizemos uma bancada de 7 deputados em 16. O que mostra a força do Sul e, se essa força estiver unida em favor do Sul, certamente ela haverá de trazer resultados”, afirmou.
Garcia defendeu a união dos parlamentares para reivindicar investimentos e recursos para a região. “É isso que nós temos que defender: defender a nossa unidade para fazer prevalecer os interesses do Sul, região que nós temos a responsabilidade de representar”, acrescentou.
Na avaliação sobre o desempenho do PSD nas eleições, Júlio Garcia apontou a polarização nacional como um dos principais fatores para o resultado. O partido lançou Ronaldo Caiado à Presidência da República, mas não conseguiu romper a disputa concentrada nos dois principais polos.
“O partido tem que ter personalidade”, afirmou. Segundo ele, a nacionalização da eleição fez com que partidos de centro perdessem espaço nos estados.
Garcia também defendeu mudanças no sistema político brasileiro. Entre as propostas citadas está a realização de alianças e coligações somente no segundo turno nas eleições em que essa etapa existe.
“Eu sou contra a coligação no primeiro turno onde tem segundo turno, tanto municipal quanto estadual. Então é preciso que os partidos tenham a obrigatoriedade de oferecer candidatos num segundo turno e promoverem as coligações, as alianças no segundo turno”, explicou.
Para o parlamentar, a reforma política deve estar entre as mudanças necessárias no país.
Derrota de Esperidião Amin foi o que mais chamou atenção
Questionado sobre os principais fatos do primeiro turno em Santa Catarina, Júlio Garcia afirmou que, mais do que as vitórias de determinados candidatos, o resultado que mais o surpreendeu foi a derrota do senador Esperidião Amin.
“O que mais me chamou a atenção não foram as vitórias. O que mais me chamou a atenção foi a derrota do senador Esperidião Amin”, declarou.
Garcia classificou Amin como um dos políticos mais experientes do Estado e avaliou que a derrota representa uma perda para Santa Catarina.
“Eu acho que o derrotado não foi o senador Esperidião Amin, quem perdeu foi Santa Catarina”, afirmou.
Ao final da entrevista, Júlio Garcia também projetou o segundo turno da eleição presidencial e declarou considerar o senador Flávio Bolsonaro favorito na disputa.
“Eu acho que a eleição é amplamente favorável ao senador Flávio Bolsonaro, até porque o sentimento de mudança no Brasil é muito grande”, avaliou.
Segundo Garcia, o desejo de mudança favoreceria o candidato que representa a oposição ao atual governo. “Se o Brasil está clamando por mudanças, não vai ser a continuidade que vai representar a mudança”, afirmou.
Eleito deputado federal, Júlio Garcia afirmou que pretende manter a atuação voltada às demandas de Santa Catarina, com atenção especial à Região Sul e a Lauro Müller.
“Vou para Brasília, como disse durante a campanha toda, vou fazer a minha parte: representar o Sul, representar Santa Catarina, defender os interesses do nosso estado e do Brasil”, declarou.
No encerramento da entrevista, o parlamentar voltou a agradecer aos eleitores e às lideranças de Lauro Müller e reforçou o compromisso com o município.
“Quero continuar sendo um dos parceiros agora na Câmara Federal para continuar ajudando a Região Sul, defendendo os interesses de Santa Catarina e ajudando especialmente o município de Lauro Müller”, concluiu.

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