A aviação regional de Santa Catarina está próxima de voltar a operar. As primeiras viagens do programa VOA+ SC estão previstas para 3 de novembro, com passagens já disponíveis para compra desde 28 de setembro. O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral, explicou o funcionamento do programa durante entrevista ao Cruz de Malta Notícias desta quarta-feira (7).
Segundo o secretário, um dos diferenciais do programa é o preço fixo das passagens, independentemente da antecedência da compra. A iniciativa também prevê franquia de uma bagagem de até 23 quilos, além da bagagem de mão.
“Como ela é subsidiada, diferente da aviação comercial, o preço é fixado. Então, você comprar no dia ou comprar com antecedência é o mesmo valor”, explicou Amaral.
As passagens são comercializadas pelo site da Azul Linhas Aéreas Brasileiras. Florianópolis será o principal hub do programa, permitindo aos passageiros das cidades atendidas fazer conexões para outros destinos nacionais e internacionais.
O programa começará com nove destinos regionais, além de Florianópolis. Entre as cidades citadas pelo secretário estão São Miguel do Oeste, Joaçaba, Caçador e Lages. Também foi criada uma ligação direta entre Jaguaruna e Joinville, conectando as regiões Sul e Norte de Santa Catarina.
De acordo com Amaral, a rota Jaguaruna-Joinville terá passagem de aproximadamente R$ 450. Já os valores apresentados durante a entrevista incluem tarifas de R$ 315 para Lages, R$ 450 para Joaçaba e Caçador e até R$ 815 para São Miguel do Oeste.
O secretário destacou que os valores são resultado do subsídio estadual.
“Se não fosse subsidiado, São Miguel–Florianópolis seria R$ 2 mil uma perna, voltando R$ 4 mil. Hoje, com o subsídio, fica em R$ 815”, afirmou.
As operações terão, inicialmente, duas frequências semanais por destino. A ampliação dependerá da procura dos passageiros.
“A população agora tem que usar o voo, tem que ver que criar essa cultura de voar, porque é muito melhor. Você ganha mais tempo, se arrisca menos”, ressaltou.
Ivan Amaral afirmou que o Estado já trabalha na possibilidade de ampliar o programa. Segundo ele, o desempenho da primeira etapa será fundamental para definir o aumento da frequência de voos, a inclusão de novos aeroportos e até a utilização de aeronaves maiores.
“Com a demanda a gente pode ampliar, porque são duas operações por semana. Nós já estamos estudando ampliar o orçamento para ter mais voos”, explicou.
A possibilidade também envolve mudanças nos destinos atendidos. Aeroportos que apresentarem baixa procura poderão perder frequências ou deixar o programa para dar espaço a localidades com maior demanda.
O secretário citou municípios como Rio do Sul, Lontras, Videira e Concórdia, que receberam investimentos na infraestrutura aeroportuária, mas não estão entre os destinos da primeira fase.
Amaral também destacou os investimentos realizados pelo Governo de Santa Catarina na estrutura aeroportuária. Segundo ele, o Estado possui 24 aeroportos, sendo cinco concedidos e 19 públicos. Desses 19 aeroportos públicos, 16 já receberam obras de infraestrutura.
Entre os serviços realizados estão melhorias em pistas, cercas, balizamento e sistemas de auxílio à navegação, como o PAPI, equipamento utilizado para orientar o piloto durante a aproximação para pouso.
“O governo está fazendo a parte dele, está investindo maciçamente. O Plano Aeroviário falou que em 20 anos teríamos que investir R$ 254 milhões nos aeroportos; em três anos investimos R$ 150 milhões”, afirmou.
Antes do início das operações, a Azul Conecta vistoriou os aeroportos que receberão os voos e, conforme o secretário, certificou as condições necessárias para a operação.
As operações serão iniciadas com aeronaves Cessna Grand Caravan, modelo utilizado em voos regionais em diferentes países.
“É um avião muito bom, seguro, usado na aviação regional em todo o mundo. É um avião seguro, muito forte”, afirmou Amaral.
A possibilidade de utilização de aeronaves maiores também está sendo avaliada para uma segunda etapa, mas dependerá dos resultados iniciais do programa.
O secretário reforçou que a utilização efetiva dos voos pela população será determinante para a continuidade e expansão da aviação regional em Santa Catarina.
“Vamos iniciar com esse avião e possivelmente aí vamos para uma segunda etapa, se a gente vai aumentar o avião, se vai aumentar as rotas. Esse planejamento futuro vai depender dessa primeira etapa da demanda”, concluiu.

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