A escritora Geovana Soares Eger participou do programa Cruz de Malta Notícias desta sexta-feira (16) para apresentar dois livros infantis que nasceram da convivência com uma criança que desejava ser amada e ter uma família. As obras fazem parte da série “Abracinho” e serão apresentadas ao público durante a Feira do Livro de Lauro Müller, na próxima semana.
O personagem principal é inspirado em uma criança real. A partir das visitas e dos momentos de convivência, Geovana e o menino começaram a construir juntos uma história, utilizando uma máquina de escrever e desenhos feitos pela própria criança.
“Ele é um manezinho da ilha e abraça o mundo com as suas ações. Há um refrão que ele diz muito: ‘Por favor, por gentileza, muito obrigado’. A gente acaba aprendendo que essas expressões conseguem mudar o mundo onde vivemos”, contou a escritora.
A proposta dos livros vai além do entretenimento. As histórias abordam o acolhimento familiar, o desejo de pertencimento e a adoção, apresentando esses temas a partir da perspectiva infantil.
Segundo Geovana, a inspiração surgiu também durante visitas à instituição Cidade da Esperança, onde ela participa regularmente de conversas e atividades. “Lá, a gente aprendeu sobre o abraço que aquece a alma. Então veio de lá a inspiração”, explicou.
A escritora destacou que o processo criativo foi desenvolvido de maneira participativa, respeitando a imaginação e a expressão da criança. “Como a gente gosta muito de contos de fadas e de leitura, a proposta foi: ‘Vamos escrever um livro, vamos contar a sua história?’. E aí você vai montando”, relatou.
Histórias que valorizam Lauro Müller
Os dois livros se complementam. Na primeira obra, a narrativa acompanha o ursinho Abracinho, personagem de Florianópolis, com expressões e características dos manezinhos da Ilha da Magia. Na continuação, a história chega a Lauro Müller, onde os personagens participam de uma corrida de bicicletas e conhecem elementos da cultura, do turismo e das belezas naturais do município.
A escritora explicou que a inclusão de personagens e referências locais foi uma forma de valorizar a cidade onde vive há 35 anos.
“A nossa ideia é que nós levemos Lauro Müller com a literatura para fora. […] Nós temos também a escrita, e os personagens têm um lugar aqui, como o Chalé da Danusa”, afirmou, ao mencionar a participação de referências locais na narrativa.
Livros com atividades para crianças e escolas
Voltadas principalmente ao público de 6 a 8 anos, as obras são ilustradas e reúnem recursos para tornar a leitura mais interativa. Os livros incluem desenhos para colorir, atividades pedagógicas, músicas acessadas por QR Code e conteúdos disponíveis no Spotify. A continuação também apresenta quebra-cabeças e jogo de paciência.
A proposta é incentivar o contato das crianças com a leitura e a escrita, além de oferecer material que possa ser utilizado por familiares, professores e profissionais que trabalham com a infância.
Geovana ressaltou a importância de proporcionar experiências que estimulem a imaginação. Para isso, a máquina de escrever utilizada durante a criação da história continua fazendo parte do processo.
“Eu ainda gosto da máquina de escrever, e as crianças adoram porque faz aquele barulhinho. […] O interessante é desenvolver a experiência da leitura e da escrita”, destacou.
As obras também contam com personagens ligados a diferentes áreas de atuação, como psicologia e assistência social, o que amplia as possibilidades de utilização dos livros em atividades educativas e de acolhimento.
Onde adquirir as obras
Os livros da série “Abracinho” poderão ser encontrados durante a Feira do Livro de Lauro Müller, na próxima semana. Também é possível obter informações e adquirir as obras pelo site da editora Morada da Luz, em editoraiamal.com.br.
Durante o evento, Geovana e a amiga Clau Eger também levarão bichinhos confeccionados em feltro para comercialização.
Ao final da entrevista, a escritora destacou que a mensagem central das histórias é o amor e a conexão entre as pessoas e a natureza.
“O livro passa isso: que nós somos como uma grande teia e estamos todos conectados uns aos outros e com a natureza”, concluiu.

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