A Defesa Civil de Santa Catarina realizou uma vistoria técnica em diferentes pontos da Serra do Rio do Rastro para avaliar árvores com risco de queda e possíveis situações de perigo para motoristas e moradores da região. O trabalho reúne equipes técnicas e órgãos ambientais e de segurança. O secretário adjunto de Estado da Defesa Civil, Ademir Honorato, detalhou a operação em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (19).
Segundo Honorato, a avaliação busca identificar árvores que possam contribuir para deslizamentos, principalmente em áreas de encosta próximas à rodovia. O levantamento conta com a participação de geólogo, profissionais da Defesa Civil e representantes do Instituto do Meio Ambiente (IMA), entre outros integrantes da equipe.
“Está sendo feito um estudo onde tem árvores com problemas, com risco de cair e de poder descer e trazer mais sedimento junto com ela”, explicou.
O secretário destacou que a retirada de vegetação não será feita de forma indiscriminada. A decisão dependerá da análise técnica de cada ponto, considerando as condições das árvores e os possíveis impactos sobre o terreno.
Durante a vistoria, foram observadas árvores com grande parte das raízes expostas, situação que pode aumentar o risco de queda, especialmente em períodos de chuva e vento. Conforme Honorato, o movimento da árvore pode comprometer a estabilidade do solo e provocar o deslocamento de grandes volumes de terra.
“Dá uns dias de chuva frequente, ela, com aquela galharia que tem, começa a pesar. Com chuva e vento, vai balançando e começa a afrouxar a terra. Às vezes, pode descer com tudo, levando toda aquela parte de barranco”, alertou.
Além do solo, as raízes também podem interferir nas fissuras naturais das rochas, contribuindo para a ocorrência de problemas nas encostas. Por isso, a equipe técnica deverá identificar quais árvores realmente oferecem risco e precisam de intervenção.
Honorato ressaltou que a avaliação foi acompanhada por profissionais especializados justamente para garantir que as decisões sejam baseadas em critérios técnicos. “Quem está preparado para dizer e assinar que aquela árvore tem risco são eles”, afirmou, referindo-se aos especialistas responsáveis pela análise.
A próxima etapa consiste na elaboração de um levantamento fotográfico e georreferenciado das árvores avaliadas. O material deverá indicar a localização de cada exemplar, as condições observadas e a necessidade de eventual supressão.
De acordo com o secretário adjunto, ainda não há uma quantidade definida de árvores que precisarão ser cortadas. O número será estabelecido após a conclusão do estudo.
Ele também explicou que a intervenção prevista não envolve arrancar as árvores pela raiz, procedimento que poderia movimentar o solo e agravar a instabilidade. A proposta é realizar o corte ou, quando tecnicamente indicado, a poda de partes da vegetação para reduzir o peso.
“Eles vão fazer o levantamento, com fotos e tudo mais, mostrando a necessidade. Aí é onde vai ser feita a supressão”, detalhou.
Honorato informou que já conversou com o secretário de Estado da Infraestrutura, Ricardo Grando, e com representantes da Defesa Civil para organizar a execução dos serviços, caso sejam confirmados os pontos que exigem intervenção. A intenção é contar com uma empresa especializada nesse tipo de trabalho.
Segundo ele, a necessidade de avaliar e retirar árvores em áreas de risco já havia sido apontada quando atuava na infraestrutura estadual, em 2023 e 2024. Na época, a medida chegou a ser incluída entre as demandas para previsão orçamentária. Agora, conforme o secretário, há previsão de serviço e recursos para viabilizar a execução.
Governo do Estado reforça ações preventivas contra enchentes
Durante a entrevista, Ademir Honorato também comentou as medidas adotadas pelo Governo de Santa Catarina para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos. Ele afirmou que o Sul do estado teve menos ocorrências em comparação com outras regiões, mas ressaltou a importância das ações preventivas diante da possibilidade de novas chuvas.
Entre as iniciativas citadas estão a limpeza, a dragagem e o desassoreamento de rios, além do apoio aos municípios com equipamentos e recursos para obras de prevenção.
Segundo o secretário, mais de 400 quilômetros de rios já passaram por intervenções em Santa Catarina. Ele mencionou como exemplo os trabalhos realizados no município de Ermo, onde a limpeza de um trecho do rio contribuiu para melhorar o escoamento da água durante uma cheia recente.
Honorato também destacou as intervenções no Rio Sangão, na região de Forquilhinha, com serviços de alargamento e aprofundamento do curso d’água. De acordo com ele, as obras têm ajudado a reduzir os efeitos das cheias em áreas que anteriormente registravam alagamentos em residências.
O secretário atribuiu os resultados à parceria entre o Estado e os municípios e defendeu a continuidade das ações preventivas para diminuir os prejuízos causados por enchentes e outros eventos climáticos.
Na Serra do Rio do Rastro, a expectativa é que o levantamento técnico permita identificar os pontos mais vulneráveis e orientar medidas para aumentar a segurança de quem utiliza a rodovia.

LIGUE