A ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Florianópolis e também de Santa Catarina, completa 89 anos nesta quarta-feira (13). Mais de 33 anos após a primeira interdição, a restauração de uma das maiores pontes pênseis do mundo não tem data para ser concluída.
Inaugurada em 13 de maio de 1926, a ponte foi a única ligação entre a Ilha de Santa Catarina e a parte continental de Florianópolis até 1975, quando foi concluída a obra da ponte Colombo Salles. A Hercílio Luz foi interditada pela primeira vez devido a problemas estruturais em 22 de janeiro de 1982. Em março de 1988, foi reaberta para motocicletas, bicicletas, veículos de tração animal e pedestres. Foi novamente interditada em 4 de julho de 1991.
“Não tenho ideia de como seria Florianópolis sem a ponte. A minha geração já nasceu com ela ali”, afirma o morador e arquiteto Fernando Teixeira. Desde criança ele passou pela Hercílio Luz, que já foi chamada de Ponte da Independência, e lamenta a demora na restauração.
“Acho injustificável um patrimônio de beleza arquitetônica e histórica que tem essa identificação com a cidade ter esse destino. É o patrimônio mais significativo de Santa Catarina e o valor dela quanto cenário e patrimônio é incalculável”, opina Teixeira, que também é professor do curso técnico de meio ambiente do Instituto Federal de Santa Catarina.
De 2006 até 2014, foram investidos pelo menos R$ 52 milhões na restauração, de acordo com o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deinfra). Segundo a entidade, do período da primeira interdição, em 1982, até 2005 não foram realizadas obras de restauração no local, apenas manutenções. O Deinfra não soube informar o valor investido no período. A previsão é que para concluir a restauração sejam investidos mais R$ 150 milhões.
Etapas da restauração
Voltar a trafegar pela Hercílio Luz continua na expectativa dos moradores da capital, inclusive da equipe responsável por fiscalizar a restauração.
“Sonho em voltar a passar na ponte pelo que ela representa como patrimônio e a melhoria que vai trazer para a mobilidade urbana”, afirma Wanderley Teodoro Agostini , presidente do Deinfra.
Segundo ele, em outubro deste ano, quando iniciar a próxima etapa das obras, será estabelecido o cronograma e o tempo necessário para finalizar a restauração. “A atual etapa é a que chamamos de ‘ponte segura’. É a parte de sustentação da ponte. Quando os pilares que estão sendo feitos embaixo da ponte chegarem à estrutura, a etapa estará concluída. Após, será outra empresa para fazer todo o resto”, detalha o presidente.
As obras contratadas em caráter emergencial estão sob responsabilidade da empresa Empa, do grupo português Teixeira Duarte, e tem até 7 de outubro para serem concluídas. “Está dentro do cronograma”, afirma o engenheiro civil fiscal da obra, Wensceslau Diotallevy. O valor da etapa é de R$ 10 milhões.
O governo aguarda a proposta da empresa American Bridge para execução da restauração total. A empresa é a mesma que construiu a ponte, na década de 1920.
Matéria completa G1 SC

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