O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes da Região Sul, Joster Fávero, manifestou preocupação com os impactos da proposta de mudança na jornada de trabalho, que prevê o fim da escala 6×1 e a adoção do modelo 5×2. Em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta sexta-feira (16), ele afirmou que a medida pode elevar os custos das empresas, pressionar os preços ao consumidor e aumentar a informalidade.
Fávero destacou que o setor não é contrário à ampliação do descanso dos trabalhadores, mas critica a falta de medidas para compensar os custos adicionais.
“A gente não é contra a escala 5 por 2, a gente não é contra os nossos colaboradores terem mais tempo com a sua família, terem mais horas de lazer. O problema é como ela foi colocada, sem nenhum tipo de contrapartida ou isenção nos altos custos que isso vai impactar para o segmento”, afirmou.
Segundo o dirigente, a estimativa é de um aumento médio de aproximadamente 20% na folha de pagamento. O impacto preocupa principalmente hotéis, bares e restaurantes, que trabalham com margens reduzidas e têm dificuldades para repassar novos custos aos consumidores.
“Existem segmentos que vão conseguir repassar e existem segmentos que não vão conseguir repassar esse valor para o preço. E aí, quando você não consegue repassar esse valor, você automaticamente começa a inviabilizar alguns segmentos”, alertou.
Durante a entrevista, Fávero criticou a falta de uma discussão mais ampla sobre os efeitos da mudança na jornada de trabalho. Ele defendeu que a implementação seja acompanhada de medidas compensatórias, como reduções tributárias para empresas de menor porte, além de um período de adaptação.
“Não tem problema a 5 por 2, vamos implementar, mas por que não, por exemplo, ter tido uma proposta de uma empresa de zero a cinco funcionários ter uma redução no imposto?”, questionou.
O presidente também alertou para o risco de aumento da informalidade, caso as empresas não consigam absorver os custos e os trabalhadores precisem buscar outras fontes de renda.
“Você vai ter um incentivo muito forte ao aumento da informalidade, isso não tenha dúvida, porque não vai fechar a conta no final”, declarou.
Na avaliação de Fávero, a mudança na jornada ocorre em um cenário de custos operacionais elevados e de alterações na legislação tributária, o que amplia a incerteza para os empreendedores.
Outro ponto abordado foi o aumento dos insumos utilizados pelo setor. Fávero citou reajustes de aproximadamente 12% na energia elétrica, aumentos superiores a 15% em determinados produtos de limpeza e elevações acumuladas de 12% a 15% nos preços das carnes ao longo do ano.
Para ele, os índices gerais de inflação nem sempre refletem a realidade dos estabelecimentos.
“Precisaria rever a fórmula do cálculo da inflação para a gente poder ter um cenário mais próximo da realidade”, defendeu.
O dirigente afirmou que esses aumentos pressionam os custos de operação e acabam refletidos nos preços de refeições e hospedagens. Ele espera que os próximos desdobramentos da proposta permitam ampliar o diálogo e avaliar alternativas para reduzir os impactos sobre as empresas e os trabalhadores.

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