A construção de uma rede permanente de cooperação entre o setor produtivo, universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento marcou o Encontro de Ciência, Inovação e Desenvolvimento dos Vales da Uva Goethe, promovido pela ProGoethe. A iniciativa busca ampliar a produção, fortalecer a cadeia da uva e do vinho Goethe e consolidar a região Sul de Santa Catarina como referência nacional e internacional em enoturismo e inovação.
Em entrevista à Rádio Cruz de Malta FM, a presidente da ProGoethe, Patrícia Mazon, explicou que o objetivo é aproximar a comunidade científica das necessidades dos produtores, transformando demandas do setor em projetos de pesquisa e desenvolvimento.
“O desenvolvimento econômico não pode estar afastado das novas tecnologias e da inovação. Hoje a sociedade acadêmica e científica possui muitas ferramentas para nos ajudar”, destacou.
A área reconhecida pela Denominação de Origem Vales da Uva Goethe abrange municípios das regiões da Amrec e Amurel. A produção da uva está concentrada principalmente em Urussanga, Pedras Grandes, Cocal do Sul e cidades vizinhas, enquanto a elaboração dos vinhos também contempla municípios como Orleans, Nova Veneza e Içara.
Segundo Patrícia, o reconhecimento conquistado após mais de duas décadas de estudos garante a autenticidade de um produto único no mundo.
“É uma uva que só existe aqui, concentrada na nossa região. Precisamos de apoio e acesso às tecnologias para melhorar a produção, elevar a qualidade e ampliar o conhecimento entre os produtores.”
Parceria com universidades e Fapesc
O encontro reuniu aproximadamente 60 participantes, entre representantes da Fapesc, Sebrae, Epagri, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Unesc, Unibave, Satc, IFSC e outras instituições.
De acordo com a presidente da ProGoethe, a presença do novo presidente da Fapesc, Valdir Cequinel, foi determinante para aproximar os diversos atores envolvidos.
“As entidades já estão nos procurando, abrindo editais e buscando informações. As pesquisas não serão apenas na área tecnológica, mas também em história, sociologia, antropologia e turismo.”
A proposta é que os próprios produtores indiquem as necessidades do setor e participem da elaboração dos projetos, garantindo que os recursos captados sejam aplicados diretamente em benefício da cadeia produtiva.
Produção depende das condições climáticas
Embora o número exato de produtores seja atualizado pela Epagri, Patrícia Mazon informou que atualmente existem oito vinícolas habilitadas a utilizar o selo da Denominação de Origem Vales da Uva Goethe.
A área cultivada gira em torno de 55 hectares, mas a produção varia significativamente conforme as condições climáticas.
“Tem safra que produz cerca de 200 mil quilos de uva e outras chegam a 600 mil quilos. Ainda dependemos muito da natureza.”
Por isso, a entidade aposta em pesquisas sobre tecnologias como cobertura de vinhedos e novas técnicas de manejo para garantir maior estabilidade na produção.
Turismo impulsiona a economia regional
Apesar da comercialização dos vinhos ainda estar em expansão, Patrícia afirma que o maior impacto econômico da uva Goethe ocorre atualmente por meio do turismo.
Segundo ela, o vinho Goethe já integra roteiros turísticos da América do Sul, atraindo visitantes que percorrem a Serra Catarinense, a Serra Gaúcha e destinos vinícolas de países como Chile, Argentina e Uruguai.
“As pessoas já vêm para Urussanga, Orleans, Nova Veneza e Içara para conhecer o vinho Goethe. Isso movimenta hotéis, restaurantes, comércio e toda a economia da região.”
A presidente ressalta que o diferencial da uva Goethe é justamente sua exclusividade.
“A uva e o vinho Goethe não existem em nenhum outro lugar do mundo. Quem quer conhecer esse produto precisa passar pela nossa região.”
Além das visitas às vinícolas durante todo o ano, um dos principais atrativos é a Vindima Goethe, realizada em janeiro, quando os turistas podem participar da colheita da uva, da tradicional pisa, degustações e experiências gastronômicas.
Para a ProGoethe, a aproximação entre produtores e instituições de pesquisa representa um passo importante para ampliar a competitividade do setor, agregar valor ao produto e fortalecer a identidade dos Vales da Uva Goethe como um dos principais destinos de enoturismo de Santa Catarina.

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