Ouvir ao vivo
89,9 FM
SINTONIZE
(48) 3464-3364
LIGUE
(48) 3464-3364
MANDE WHATSAPP

Carvão mineral: os meios para produção limpa e a recuperação das áreas danificadas

Quem visita as mineradoras da região Sul do estado pode observar campos cobertos de verde no entorno dos pátios das indústrias que beneficiam mais de 200 mil toneladas do minério por mês. Uma realidade diferente da observada há pouco mais de uma década, quando o rejeito do carvão era espalhado por áreas que somavam centenas de hectares, contaminando córregos, rios e lavouras. Mas, segundo especialistas, este prejuízo ambiental, ocorrido em mais de 100 anos de exploração, deve estar totalmente recuperado até o ano de 2025, num esforço conjunto do governo, órgãos ambientais, mineradoras e sindicato patronal.

Depois de uma ação civil pública na década de 1990, o Ministério Público Federal condenou, no ano de 2000, as mineradoras, a União e o governo do estado a recuperar todas as áreas degradadas pelo carvão. Foi estabelecido um prazo de três meses para a apresentação de um plano de ação. Em três anos, toda a área deveria estar recuperada. “Nesta ação não houve perícia. Não tinham números, dados técnicos e diagnósticos. Não se tinha nada. Precisava-se conhecer o tamanho do problema e a solução para ele”, explica Cleber Baldoni Gomes, engenheiro de Minas, especialista em Segurança e Meio Ambiente na Mineração.

Gomes foi um dos pioneiros nos estudos das técnicas de recuperação da bacia carbonífera catarinense. Ele é membro do Grupo de Trabalho Ambiental (GTA) responsável pelo planejamento e ações na região, formado por especialistas do Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina (Siecesc) e da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (Satc), representantes das mineradoras, da União, do Ministério Público Federal, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), do Ministério de Minas e Energia, da Fatma e das prefeituras dos municípios produtores.

“No fim da década de 80, as empresas começaram a se preocupar e se prepararam para a recuperação ambiental. Porém, com a medida do governo (Collor, que extinguiu a produção nacional de carvão para a siderurgia), veio a crise e o setor quase fechou. Não foi investido nada na época”, lembra o especialista. Com a sentença do MP, as mineradoras se viram obrigadas a cumprir as determinações ambientais e passaram a investir em novas tecnologias para a produção limpa.

R$ 100 milhões investidos em recuperação
O carvão em sua forma natural não é poluente, mas na superfície, já manipulado pelo homem, libera enxofre e ferro que se combinam com o oxigênio. Com a chuva, essa mistura gera o ácido sulfúrico, que corre para os rios e baixa o PH (teor de alcalinidade). Abaixo do nível quatro já não há vida. “Foi isso que ocorreu na região, num período de mais de 100 anos”, explica Gomes.

O primeiro passo para a recuperação de uma área é evitar que a chuva entre em contato com o rejeito do carvão na superfície. Deve-se retirar a água contaminada e cobrir a área, não deixando a chuva entrar, e monitorar a impermeabilização do solo. “Tratar a água é muito mais caro, por isso se deve isolar as áreas poluídas”. Usa-se camada de argila sobre a área, que recebe aterro com barro e vegetação. Logo, garante-se o isolamento”.

As mineradoras usam canais no entrono de seus pátios, recolhendo e tratando a água contaminada. O líquido é devolvido ao meio ambiente e também aproveitado para o beneficiamento do carvão na lavagem (processo que separa o rejeito do minério, com a utilização de água e gravidade). “As mineradoras já investiram mais de R$ 100 milhões em 10 anos na recuperação ambiental. São recursos próprios que sangram as empresas. São investidos de 3% a 3,5% do faturamento bruto em recuperação ambiental. Nosso grande pleito é que o governo federal crie linhas de financiamento para projetos de recuperação ambiental em áreas onde a União permitiu a exploração. As empresas precisam destas linhas de financiamento”, reclama o especialista.

Segundo dados do Relatório do GTA 2012, foram poluídos 5.7 mil hectares em Santa Catarina. Destes, mais de mil já foram recuperados. O GTA emite relatórios anuais sobre as áreas restabelecidas. Os documentos ficam disponíveis para consulta no site do Ministério Público.

100% das cinzas recolhidas para indústria do cimento
Além da recuperação das áreas poluídas e das normas ambientais para a produção nas mineradoras, já certificadas pela ISO 14001, os avanços da produção limpa do carvão no Sul catarinense chegaram à fase final da cadeia, na geração de energia termelétrica no Complexo Jorge Lacerda, o maior da América Latina. Cerca de 99% das cinzas do carvão são retidas nas chaminés da usina, sendo 100% vendidas para a indústria do cimento.

“Todo cimento comercializado em Santa Catarina é produzido com o rejeito do nosso carvão”, afirma Artur Ellwanger, gerente de Geração Térmica da Tractebel Energia, que já recuperou uma área de 45 hectares, na qual vai inaugurar um parque ambiental pra comunidade no mês de setembro deste ano. Segundo Ellwanger, 30% do saco de cimento são cinzas da queima do carvão.

Devido a estes avanços para a produção sustentável do carvão em Santa Catarina e à perspectiva de avanços econômicos para a região Sul é que a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) apoia a expansão do minério como fonte de geração de energia elétrica. A Fiesc está articulada com as federações do Rio Grande do Sul e do Paraná em defesa do carvão. “Estamos alinhados com este propósito de recolocar o carvão na reserva energética nacional”, afirma o presidente da Fiesc, Glauco Côrte.

Carvão e desenvolvimento
A pesquisadora do Curso de Engenharia Ambiental da Unibave (Centro Universitário Barriga Verde), Joélia Sizenando, estudou a ocupação territorial da região de Criciúma e os efeitos do carvão na geografia local das comunidades. Mesmo com os danos causados, a pesquisadora comprovou o desenvolvimento de toda uma região a partir do minério. “Desde 2008, quando comecei a pesquisa, cada vez mais tenho certeza do que estou falando. Os problemas ambientais identificados também geraram renda e desenvolvimento econômico e transformaram a região. Não dá pra fechar os olhos para isso”, defende a especialista.

Joélia vai apresentar sua dissertação de Mestrado num congresso internacional de educação ambiental em Marrocos em junho. Vai defender a ideia da exploração consciente do carvão, como forma de geração de desenvolvimento econômico. Sua pesquisa também constatou que mesmo as comunidades sendo de baixa renda, os índices de desenvolvimento humano apontam que as regiões carboníferas do Sul têm índices mais altos do que outras regiões mineradoras do Brasil.

“Em tempos de economia verde, nós pesquisadores não podemos apenas dizer que não devemos explorar o carvão. Temos esse recurso e devemos buscar formas sustentáveis de exploração. Os próprios acadêmicos da área ambiental estão pensando e discutindo a possibilidade da exploração sustentável do carvão. O meio científico já crê nesta possibilidade. Se há regiões no mundo que usam técnicas sustentáveis e exploram, por que não podemos usá-las aqui?”.

Energia sem queimar o carvão
Países desenvolvidos e que têm no carvão sua maior fonte para produção de energia elétrica, como Alemanha e Estados Unidos, pesquisam e desenvolvem novas tecnologia para a exploração limpa do minério. Técnicas como o sequestro do gás carbônico em poços de petróleo desativados, mesmo ainda muito caras, representam o futuro na mineração e a garantia de uma produção cada vez mais ambientalmente correta.

Um estudo americano recente da Ohio State University comprova a possibilidade concreta de extrair o calor do carvão sem queimá-lo, isolando-se também o gás carbônico sem emiti-lo para a atmosfera. Estas novas tecnologias devem ser viáveis daqui a uma década, na mesma época em que em Santa Catarina toda área degradada deverá estar recuperada. Um futuro breve onde a produção limpa do carvão no estado deverá estar multiplicada por três.

“Em 10 anos, saímos do zero para ministrar cursos fora do Brasil sobre a tecnologia que usamos em Santa Catarina. Criamos um grupo para ajudar a enfrentar os problemas. Adaptamos ideias de fora do Brasil para nossa realidade, mas também desenvolvemos tecnologias aqui”, comemora o especialista em Segurança e Meio Ambiente na Mineração, Cléber Boldoni Gomes.

Rony Ramos

Comente!

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

news-1701

yakinjp

yakinjp

rtp yakinjp

yakinjp

yakinjp

yakin jp

yakinjp id

maujp

maujp

maujp

\

sabung ayam online

sabung ayam online

SLOT MAHJONG

sabung ayam online

article 838000468

article 838000469

article 838000470

article 838000471

article 838000472

article 838000473

article 838000474

article 838000475

article 838000476

article 838000477

article 838000478

article 838000479

article 838000480

article 838000481

article 838000482

article 838000483

article 838000484

article 838000485

article 838000486

article 838000487

article 838000488

article 838000489

article 838000490

article 838000491

article 838000492

article 838000493

article 838000494

article 838000495

article 838000496

article 838000497

article 5500146

article 5500147

article 5500148

article 5500149

article 5500150

article 5500151

article 5500152

article 5500153

article 5500154

article 5500155

article 5500156

article 5500157

article 5500158

article 5500159

article 5500160

article 5500161

article 5500162

article 5500163

article 5500164

article 5500165

article 5500166

article 5500167

article 5500168

article 5500169

article 5500170

article 5500171

article 5500172

article 5500173

article 5500174

article 5500175

article 5500176

article 5500177

article 5500178

article 5500179

article 5500180

article 5500181

article 5500182

article 5500183

article 5500184

article 5500185

article 5500186

article 5500187

article 5500188

article 5500189

article 5500190

article 5500191

article 5500192

article 5500193

article 5500194

article 5500195

article 5500196

article 5500197

article 5500198

article 5500199

article 5500200

article 5500201

article 5500202

article 5500203

article 5500204

article 5500205

article 5500206

article 5500207

article 5500208

article 5500209

article 5500210

article 5500211

article 5500212

article 5500213

article 5500214

article 5500215

article 5500216

article 5500217

article 5500218

article 5500219

article 5500220

article 5500221

article 5500222

article 5500223

article 5500224

article 5500225

article 5500226

article 5500227

article 5500228

article 5500229

article 5500230

article 5500231

article 5500232

article 5500233

article 5500234

article 5500235

article 5500236

article 5500237

article 5500238

article 5500239

article 5500240

article 7700166

article 7700167

article 7700168

article 7700169

article 7700170

article 7700171

article 7700172

article 7700173

article 7700174

article 7700175

article 7700176

article 7700177

article 7700178

article 7700179

article 7700180

article 7700181

article 7700182

article 7700183

article 7700184

article 7700185

article 992000171

article 992000172

article 992000173

article 992000174

article 992000175

article 992000176

article 992000177

article 992000178

article 992000179

article 992000180

article 992000181

article 992000182

article 992000183

article 992000184

article 992000185

article 992000186

article 992000187

article 992000188

article 992000189

article 992000190

article 992000191

article 992000192

article 992000193

article 992000194

article 992000195

article 992000196

article 992000197

article 992000198

article 992000199

article 992000200

article 2000216

article 2000217

article 2000218

article 2000219

article 2000220

article 2000221

article 2000222

article 2000223

article 2000224

article 2000225

article 2000226

article 2000227

article 2000228

article 2000229

article 2000230

article 2000231

article 2000232

article 2000233

article 2000234

article 2000235

article 2000236

article 2000237

article 2000238

article 2000239

article 2000240

article 2000241

article 2000242

article 2000243

article 2000244

article 2000245

article 2000246

article 2000247

article 2000248

article 2000249

article 2000250

article 2000251

article 2000252

article 2000253

article 2000254

article 2000255

article 2000256

article 2000257

article 2000258

article 2000259

article 2000260

article 2000261

article 2000262

article 2000263

article 2000264

article 2000265

article 2990266

article 2990267

article 2990268

article 2990269

article 2990270

article 2990271

article 2990272

article 2990273

article 2990274

article 2990275

article 2990276

article 2990277

article 2990278

article 2990279

article 2990280

article 2990281

article 2990282

article 2990283

article 2990284

article 2990285

article 2990286

article 2990287

article 2990288

article 2990289

article 2990290

article 2990291

article 2990292

article 2990293

article 2990294

article 2990295

article 2990296

article 2990297

article 2990298

article 2990299

article 2990300

article 2990301

article 2990302

article 2990303

article 2990304

article 2990305

article 2990306

article 2990307

article 2990308

article 2990309

article 2990310

article 2990311

article 2990312

article 2990313

article 2990314

article 2990315

article 2990316

article 2990317

article 2990318

article 2990319

article 2990320

article 2990321

article 2990322

article 2990323

article 2990324

article 2990325

article 2990326

article 2990327

article 2990328

article 2990329

article 2990330

article 2990331

article 2990332

article 2990333

article 2990334

article 2990335

article 2990336

article 2990337

article 2990338

article 2990339

article 2990340

article 2990341

article 2990342

article 2990343

article 2990344

article 2990345

article 2990346

article 2990347

article 2990348

article 2990349

article 2990350

article 2990351

article 2990352

article 2990353

article 2990354

article 2990355

article 0000301

article 0000302

article 0000303

article 0000304

article 0000305

article 0000306

article 0000307

article 0000308

article 0000309

article 0000310

article 0000311

article 0000312

article 0000313

article 0000314

article 0000315

article 0000316

article 0000317

article 0000318

article 0000319

article 0000320

article 0000321

article 0000322

article 0000323

article 0000324

article 0000325

article 0000326

article 0000327

article 0000328

article 0000329

article 0000330

article 9998000441

article 9998000442

article 9998000443

article 9998000444

article 9998000445

article 9998000446

article 9998000447

article 9998000448

article 9998000449

article 9998000450

article 9998000451

article 9998000452

article 9998000453

article 9998000454

article 9998000455

article 9998000456

article 9998000457

article 9998000458

article 9998000459

article 9998000460

article 9998000461

article 9998000462

article 9998000463

article 9998000464

article 9998000465

article 9998000466

article 9998000467

article 9998000468

article 9998000469

article 9998000470

news-1701
betpark giriş
holiganbet
norabahis
norabahis
betpark
betpark
betpark
betpark
betpark
betsilin
betsilin
norabahis
norabahis
savoycasino
savoycasino
savoycasino
savoycasino
betsilin
betsilin
betsilin
betsilin
norabahis
norabahis
betpark
betpark
betpark
betpark
betpark
betpark
betgaranti
betgaranti giriş
grandpashabet
grandpashabet
grandpashabet
safirbet
betpark
betpark
betpark
grandpashabet
grandpashabet
grandpashabet
betpark
grandpashabet
betpark
grandpashabet
grandpashabet
grandpashabet
grandpashabet
betpark
betpark
betpark
betpark
betpark
betpark
betpark
betyap
betyap
betyap
betyap
dedebet
dedebet
norabahis
norabahis
norabahis
norabahis
betkanyon
betkanyon
dedebet
dedebet
holiganbet
betpark
betyap
betyap
norabahis
norabahis
betpas
betpas
betpas
betpas
norabahis
norabahis
perabet
perabet
betpark
betpark
betpark
betpark
bettilt
betgaranti
grandpashabet
bettilt
betgaranti
betgaranti
holiganbet
holiganbet
grandpashabet
bettilt
grandpashabet
bettilt
betpark
betpark
betpark
klasbahis
grandpashabet
klasbahis
klasbahis