O mercado de trabalho no Sul de Santa Catarina encerrou o primeiro semestre de 2026 com saldo positivo de 5.096 empregos formais, conforme os dados mais recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Apesar da criação líquida de vagas, o desempenho acende um sinal de atenção: o resultado representa uma queda de 52% em comparação com o mesmo período do ano passado e configura o pior desempenho para os seis primeiros meses do ano desde 2020, período marcado pelos impactos econômicos da pandemia de Covid-19.
A avaliação é de que o mercado de trabalho continua gerando oportunidades, porém em um ritmo significativamente menor do que o observado nos últimos anos.
Segundo o economista Leonardo Alonso Rodrigues, o cenário não representa uma retração da economia, mas sim uma desaceleração do crescimento econômico nacional, que acaba refletindo também em Santa Catarina e, consequentemente, na região Sul do Estado.
De acordo com ele, após um período de recuperação consistente da atividade econômica, com crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 3% nos últimos anos, a expectativa para 2026 é de uma expansão mais moderada, entre 1,5% e 2%. Essa redução no ritmo de crescimento influencia diretamente o nível de investimentos e as contratações realizadas pelas empresas.
Entre os fatores que explicam essa desaceleração, o economista destaca a manutenção de uma taxa básica de juros elevada, que permaneceu durante longo período em torno de 15% ao ano. Segundo ele, juros altos encarecem o crédito, reduzem os investimentos privados e acabam limitando a expansão da atividade econômica, mesmo contribuindo para o controle da inflação.
Leonardo também lembra que, após a forte recuperação registrada no período pós-pandemia, era esperado que a economia retornasse a um ritmo mais equilibrado de crescimento.
Perspectivas para o segundo semestre
A expectativa para os próximos meses é de continuidade na geração de empregos, porém em níveis inferiores aos registrados nos últimos anos.
Além dos juros elevados, o economista aponta outros fatores que contribuem para um ambiente de maior cautela entre empresários e investidores, como as tensões geopolíticas internacionais, os impactos do chamado tarifaço sobre setores exportadores da região Sul e o período pré-eleitoral, que tradicionalmente aumenta as incertezas econômicas.
Apesar desse cenário, Leonardo ressalta que não há indicativos de uma crise econômica ou de uma retração significativa da atividade produtiva.
Mercado de trabalho segue aquecido
Mesmo com a desaceleração, o economista destaca que os indicadores do mercado de trabalho continuam favoráveis. Santa Catarina mantém uma das menores taxas de desemprego do país, em torno de 2,7%, índice considerado próximo aos padrões observados em países europeus. No Brasil, a taxa gira em torno de 5,4%, também em patamar historicamente baixo.
Segundo ele, isso demonstra a resiliência da economia catarinense, que continua gerando empregos, embora em um ritmo mais moderado.
Inflação ainda depende do cenário internacional
Sobre a inflação, Leonardo avalia que a tendência é de acomodação nos próximos meses, mas ressalta que o comportamento dos preços ainda depende da evolução dos conflitos internacionais, especialmente aqueles que afetam o mercado do petróleo.
Segundo o economista, oscilações no preço do petróleo têm impacto direto sobre a inflação, influenciando custos de combustíveis, transporte e diversos produtos da economia.
Ele observa ainda que o Banco Central já iniciou um movimento de redução dos juros, sinalizando um cenário mais favorável para os próximos meses, embora a volatilidade internacional ainda exija cautela.
O economista Leonardo Alonso Rodrigues participou de entrevista no programa Cruz de Malta Notícias e comentou sobre os dados.

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