Uma denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público de Santa Catarina resultou na descoberta de uma estufa de cultivo de cannabis no interior de Lauro Müller. A ação foi realizada pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia do município, com apoio da Polícia Militar e do Núcleo de Inteligência da Regional de Criciúma.
Em entrevista à Rádio Cruz de Malta, o escrivão da Polícia Civil José Paulo explicou que as investigações começaram logo após o recebimento de um ofício encaminhado pela Promotoria de Justiça, baseado em informações repassadas por um morador que preferiu manter o anonimato.
“A Polícia Civil tomou conhecimento desse possível fato através de um ofício encaminhado pela Promotoria de Lauro Müller. A Promotoria recebeu uma denúncia anônima de um cidadão que não concordava com o que estava acontecendo naquele local”, afirmou.
Segundo o policial, localizar a propriedade foi um dos principais desafios da investigação devido às características geográficas do município. Ele destacou o trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Inteligência da Polícia Civil.
“As localidades são extensas, com muitas áreas de mata, o que dificultou a localização. Mas, com o apoio do Núcleo de Inteligência, conseguimos identificar o local e confirmar que se tratava de uma plantação de cannabis.”
Ao chegarem à propriedade, os policiais constataram que não havia ninguém no local. Diante da situação de flagrante, as equipes realizaram a apreensão das plantas, além de diversos equipamentos utilizados no cultivo.
Estrutura chamou a atenção
De acordo com José Paulo, a estufa possuía uma estrutura sofisticada para o cultivo da droga, incluindo iluminação automática, controle do ambiente e insumos específicos.
“Chamou bastante atenção. Inclusive, conseguimos localizar a estufa porque, no fim da tarde, a iluminação acendeu automaticamente. Foi isso que permitiu a identificação visual do local.”
Os policiais encontraram oito pés de maconha em fase de desenvolvimento. As plantas estavam cultivadas em vasos de manta Bidim, material normalmente utilizado na produção de hortaliças.
“Os pés ainda estavam em processo de maturação. Acreditamos que era apenas o início do cultivo, porque havia bastante material armazenado, indicando que a intenção era expandir a plantação.”
Segundo a Polícia Civil, o terreno aparentava ter sido projetado originalmente para lazer, com área próxima a um rio e uma antiga quadra de vôlei, mas acabou sendo utilizado para o cultivo ilegal da droga.
Investigação continua
Embora ninguém tenha sido preso durante a operação, a Polícia Civil já identificou possíveis responsáveis pelo imóvel e pelos equipamentos encontrados no local.
“Já conseguimos identificar alguns possíveis responsáveis. Agora eles serão chamados para prestar esclarecimentos e explicar se eram proprietários das plantas, dos insumos ou se o imóvel havia sido alugado ou vendido para terceiros.”
Conforme o policial, as circunstâncias encontradas reforçam a suspeita de que o cultivo tinha como finalidade o comércio ilegal de entorpecentes.
“As evidências nos levam a crer que não era uma plantação legal, mas sim uma plantação ilegal destinada ao comércio de drogas.”
Polícia reforça importância das denúncias
José Paulo também destacou que a participação da comunidade foi fundamental para o sucesso da operação e incentivou a população a continuar colaborando com as forças de segurança.
“Ninguém precisa ter medo de denunciar. A Polícia Civil possui um canal de denúncia anônima em seu site, onde nem os próprios policiais sabem quem enviou a informação.”
Ele orientou que o mais importante é fornecer o maior número possível de referências sobre o fato denunciado, sem preocupação com a forma de escrever.
“Não se preocupem em escrever de forma técnica ou com o português. O importante é trazer informações claras para que possamos identificar o local e investigar.”
Ao final da entrevista, o escrivão agradeceu o apoio da Polícia Militar de Lauro Müller e do Núcleo de Inteligência da Polícia Civil de Criciúma, ressaltando a integração entre as forças de segurança.
“Essa é uma integração das forças de segurança de Santa Catarina que atuam pelo bem de Lauro Müller”, concluiu.

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