A apicultura de Santa Catarina, reconhecida internacionalmente pela qualidade do seu mel, pode sofrer um duro golpe com a nova tarifa de importação imposta pelos Estados Unidos ao Brasil. O decreto, conhecido como “tarifaço” e assinado pelo então presidente norte-americano Donald Trump, entrou em vigor na última quinta-feira (7) e prevê a cobrança de 50% sobre os produtos brasileiros exportados ao país.
O impacto preocupa produtores e empresas, especialmente no Sul de Santa Catarina, principal polo exportador do Estado, onde atuam empresas de grande porte no setor. Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), nos últimos cinco anos cerca de 76% das exportações brasileiras tiveram como destino o mercado norte-americano. Mais da metade da produção nacional é exportada e, desse volume, aproximadamente 95% vai para os EUA.
Santa Catarina é o terceiro maior exportador de mel do Brasil e ocupa a oitava posição na produção. O levantamento mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2023, aponta o Planalto Sul como a principal região produtora do Estado, com cerca de 1 mil toneladas por ano, seguido do Litoral Sul, com aproximadamente 700 toneladas. Somente nesta última região, mais de 400 produtores mantêm cerca de 62 mil colmeias.
Em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias nesta terça-feira, o presidente da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), Agenor Sartori Castagna, destacou que a medida deve gerar forte impacto econômico. “A dependência do mercado norte-americano é grande, e uma tarifa desse porte pode inviabilizar muitas operações e comprometer a renda dos apicultores”, alertou.

LIGUE