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Oficina de defesa pessoal orienta mulheres sobre como agir em situações de risco

A Soldado Patrícia Ribeiro dos Santos, integrante da Rede Catarina de Proteção à Mulher, da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), destacou a importância da prevenção e da percepção de risco durante entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias 2ª Edição, nesta quinta-feira (29). A conversa antecedeu a realização de uma oficina de defesa pessoal exclusiva para mulheres, promovida em Lauro Müller.

Segundo a policial, a proposta do curso é ir além do ensino de técnicas físicas, oferecendo orientações práticas para que as participantes saibam reconhecer situações de perigo e adotem medidas para proteger a própria integridade.
“Não basta a gente falar sobre prevenção. Também precisamos fornecer mecanismos práticos para que essas mulheres saibam se defender e tenham percepção situacional de risco”, afirmou.

A iniciativa foi organizada em parceria entre a Polícia Militar, a Associação Empresarial de Lauro Müller e Orleans (ACIO) e a Coopermila. A oficina já havia sido realizada em outros municípios atendidos pelo 29º Batalhão da PM, como Cocal do Sul e Urussanga.

Durante a entrevista, Patrícia explicou que muitas situações de vulnerabilidade ocorrem fora do contexto da violência doméstica, como durante deslocamentos nas ruas ou em ambientes públicos.

“A gente vai mostrar para elas o que é essa percepção situacional. Tenho certeza de que elas vão sair olhando para as coisas de uma forma diferente.”

Ela ressaltou que o principal objetivo é evitar o confronto sempre que possível, ensinando estratégias para sair de situações perigosas, acionar ajuda rapidamente e minimizar consequências caso uma agressão aconteça.

A procura pela atividade superou as expectativas da organização. As inscrições foram encerradas após atingir 76 participantes, e a realização de uma nova edição já está sendo estudada.

Rede Catarina atua no acompanhamento das vítimas

Ao abordar o trabalho desenvolvido pela Rede Catarina, a policial destacou que o programa realiza acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, visitas preventivas, avaliações de risco e fiscalização do cumprimento das decisões judiciais.

Patrícia lembrou que a região registrou casos graves de violência contra a mulher recentemente, incluindo um feminicídio em Cocal do Sul, reforçando a necessidade da prevenção.

Segundo ela, o trabalho integrado entre Polícia Militar, Poder Judiciário, Ministério Público e demais órgãos tem contribuído para a redução de ocorrências acompanhadas pelo programa.

“É um trabalho mais silencioso, mas muito eficaz.”

Ela revelou que, apenas em Lauro Müller e Orleans, a Rede Catarina já contribuiu para o cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva por meio de relatórios técnicos elaborados pela equipe.

A soldado também citou um atendimento realizado em Orleans, em outubro, quando um contato preventivo da Rede Catarina coincidiu com a entrada do agressor na residência armado com uma faca, situação que acabou sendo controlada pela atuação policial.

Como buscar ajuda

Patrícia orientou que mulheres em situação de violência devem procurar um dos canais oficiais de denúncia, como:
– Polícia Militar, pelo 190, em casos de emergência;
– Delegacia de Polícia Civil, presencialmente ou por boletim online;
– Disque 180, que também permite denúncias anônimas;
– Ministério Público e Poder Judiciário.

Ela explicou que, após o registro da ocorrência e a concessão de medida protetiva, a Polícia Militar passa a acompanhar o caso por meio da Rede Catarina.

Romper o ciclo da violência exige fortalecimento

Ao falar sobre as dificuldades enfrentadas por muitas vítimas para denunciar, Patrícia destacou que a chamada espiral da violência faz com que fatores emocionais e financeiros dificultem o rompimento do relacionamento abusivo.

Segundo ela, o trabalho da Rede Catarina busca identificar o que cada mulher precisa para conseguir sair dessa situação, seja apoio psicológico, encaminhamento para oportunidades de trabalho ou fortalecimento da rede de proteção.

“A Polícia Militar serve à sociedade e nossa responsabilidade é atender quem pediu ajuda.”

A oficina de defesa pessoal será realizada às 19h, no auditório da Coopermila, em Lauro Müller, com a participação de policiais do 29º Batalhão da Polícia Militar. Diante da grande procura, a organização avalia promover uma nova edição para atender as mulheres que ficaram de fora.