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Médicos do Hospital Santa Catarina cobram pagamento de salários atrasados da antiga gestão

Cerca de 130 médicos que atuam no Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC), em Criciúma, aguardam o pagamento de valores referentes aos meses de abril e maio de 2026. A dívida acumulada é estimada em aproximadamente R$ 4 milhões e está relacionada à antiga gestora da unidade, o Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas).

A situação foi detalhada pelo médico obstetra e gerente médico do HMISC, Dr. Paulo Ferreira Júnior, em entrevista ao repórter Álvaro Souza. Segundo ele, o hospital passou por uma mudança de gestão após o governo de Santa Catarina romper o contrato com o Ideas. Desde junho, a administração está sob responsabilidade da Santa Casa de São Bernardo, de São Paulo.

De acordo com o médico, os pagamentos realizados pela nova gestão estão em dia. “Desde que a nova empresa assumiu, os salários estão em dia, eles estão cumprindo rigorosamente com as obrigações”, afirmou.

O problema, segundo Paulo Ferreira Júnior, está nos valores deixados pela administração anterior. O médico explica que o governo estadual afirma ter realizado os repasses ao Ideas, enquanto a antiga gestora sustenta que ainda existem valores pendentes a serem pagos pelo Estado. Com isso, os profissionais permanecem sem receber pelos serviços prestados.

“O que a gente tem reivindicado é que o Estado, contratando essa empresa que fez a gestão do hospital, o Estado é corresponsável”, explicou o gerente médico. Segundo ele, a reivindicação é para que o governo efetue o pagamento aos profissionais e posteriormente resolva a questão financeira com a antiga gestora na Justiça.

Mesmo diante dos atrasos, os médicos mantiveram normalmente as atividades no hospital. Paulo destacou que nenhum profissional deixou de cumprir suas obrigações durante o período de transição.

“Não tivemos nenhum médico que faltou com as suas obrigações, que faltou ao trabalho. Os serviços foram cumpridos”, afirmou.

O gerente médico também ressaltou que o corpo clínico é formado, em grande parte, por profissionais contratados como pessoa jurídica, e não pelo regime CLT. Por esse motivo, o sindicato dos médicos ainda avalia qual será o caminho jurídico mais adequado para cobrar os valores.

Uma assembleia com o Sindicato dos Médicos da Região Sul de Santa Catarina deve ser realizada na próxima semana para discutir as medidas que serão adotadas. Entre as possibilidades está o ingresso de ações judiciais para buscar o pagamento dos salários atrasados.

Para o gerente médico, embora a dívida esteja relacionada à antiga empresa responsável pela administração, o governo estadual também deve assumir responsabilidade pela situação.

Segundo Paulo, representantes da categoria já tiveram contato com o secretário de Estado da Saúde, que teria demonstrado disposição para solucionar o problema. “A gente vê uma vontade do secretário em resolver a situação, porém esbarra em algumas questões jurídicas”, relatou.

O médico afirmou ainda que existe uma expectativa de que os valores sejam pagos. Segundo ele, o governo teria sinalizado que os profissionais não ficariam prejudicados.

“Vocês não ficarão para trás como aconteceram das outras vezes em outras gestões. O governo vai fazer questão de equacionar essa dívida com vocês”, teria afirmado o secretário, conforme relato de Paulo Ferreira Júnior.

Apesar da insatisfação, o gerente médico afirmou que, neste momento, não existe uma decisão pela paralisação dos serviços. A prioridade, segundo ele, é buscar uma solução para o pagamento dos valores pendentes.

Segundo o gerente médico, após a chegada da Santa Casa de São Bernardo, o hospital retomou a normalidade e ampliou o número de profissionais. O novo contrato também estabeleceu metas maiores para procedimentos e atendimentos.

Entre os serviços ampliados estão cirurgias ginecológicas e pediátricas, além de consultas ambulatoriais em diferentes especialidades. Para atender às novas metas, a empresa contratou novos profissionais.

“Hoje estão a todo vapor”, afirmou Paulo, destacando que o principal problema enfrentado pelo hospital esteve concentrado no período de transição entre as duas gestões.

O HMISC é referência para pacientes de diversos municípios do Sul de Santa Catarina, incluindo Lauro Müller. Segundo Paulo Ferreira Júnior, a unidade realiza entre 250 e 300 partos por mês, sendo aproximadamente 50% a 60% partos normais e 40% cesarianas.

O ambulatório de pré-natal de alto risco atende cerca de 400 pacientes por mês, enquanto a porta da maternidade registra aproximadamente 1,5 mil atendimentos mensais.

O gerente médico destacou que a abrangência do hospital ultrapassa os municípios da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC), recebendo também pacientes de cidades do extremo sul catarinense.

Para Lauro Müller, o hospital tem importância ainda maior, já que o município não conta com maternidade. Com isso, gestantes que dependem do atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são encaminhadas para Criciúma.

Durante a entrevista, Paulo também falou sobre sua atuação profissional em outras cidades da região. Além do Hospital Santa Catarina, ele trabalha no Hospital da Unimed, mantém consultório em Criciúma e atua no atendimento de pré-natal de alto risco em Sombrio.

Segundo o médico, há cerca de cinco anos foi implantado no município um projeto que capacitou equipes de Estratégia de Saúde da Família para o acompanhamento de gestantes e estruturou um ambulatório de pré-natal de alto risco.

A iniciativa, conforme Paulo, tem como objetivo reduzir os índices de mortalidade materno-infantil e já está em funcionamento há quase seis anos.

No Hospital Santa Catarina, ele ocupa atualmente a função de gerente médico, enquanto o diretor técnico é o Dr. Manoel, que assumiu o cargo com a nova gestão da Santa Casa de São Bernardo.

Enquanto aguardam uma definição sobre os valores atrasados, os médicos seguem trabalhando normalmente e cobrando uma solução para os pagamentos referentes aos meses de abril e maio.