Os médicos que atuam no Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC), em Criciúma, seguem enfrentando um impasse em relação ao pagamento dos honorários. Aproximadamente 130 profissionais estão sem receber pelos serviços prestados nos meses de abril e maio, período em que a unidade era administrada pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (IDEAS).
Em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias, a presidente do Sindicato dos Médicos da Região Sul Catarinense (SIMERSul), Dra. Cristiane Lopes Coral, explicou que, mesmo diante da falta de pagamento, os médicos mantiveram os atendimentos, cumpriram escalas de plantão e realizaram cirurgias para garantir a assistência à população.
Segundo ela, o valor devido aos profissionais já se aproxima de R$ 4 milhões. A dirigente ressaltou que o Hospital Materno Infantil atende pacientes de toda a região, especialmente nas áreas de pediatria, obstetrícia e ginecologia, tornando a continuidade dos serviços essencial.
Durante assembleia realizada na última semana, o sindicato definiu uma série de medidas para buscar uma solução ao problema. Entre elas está o pedido de realização de uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Criciúma, com o objetivo de dar transparência à situação e envolver gestores públicos e a sociedade no debate.
Outra medida será o encaminhamento de um pedido de audiência ao Ministério Público. Paralelamente, o SIMERSul também iniciou os procedimentos para organizar uma paralisação assistencial dos médicos. Conforme explicou a presidente, a mobilização seguirá todas as normas estabelecidas pelo Conselho Regional de Medicina, garantindo a manutenção dos atendimentos de urgência e emergência, com pelo menos 30% do corpo clínico em atividade.
Além disso, o sindicato pretende realizar uma auditoria para analisar a aplicação dos recursos destinados ao hospital. A intenção é elaborar um dossiê técnico que permita identificar se os valores repassados pelo Governo do Estado são suficientes para custear os serviços e verificar onde ocorreram os problemas que resultaram no atraso dos pagamentos.
Cristiane Lopes Coral informou que manteve reuniões na última sexta-feira tanto com representantes do IDEAS quanto com o secretário de Estado da Saúde. Segundo ela, ambas as partes demonstraram interesse em resolver a situação, mas, até o momento, nenhum pagamento foi efetuado aos médicos.
A presidente do SIMERSul destacou ainda que, embora a responsabilidade contratual seja da antiga gestora, o Governo do Estado também possui corresponsabilidade, por se tratar de um hospital estadual administrado por meio de terceirização.
Ela também esclareceu que a atual administradora da unidade, a Irmandade da Santa Casa de São Bernardo do Campo, assumiu a gestão em 1º de junho e, por isso, o primeiro pagamento referente ao período sob sua administração está previsto apenas para o fim de julho. Até o momento, não há registro de atrasos relacionados à nova gestão.
Por fim, Cristiane reforçou que o objetivo da mobilização é garantir que os profissionais recebam pelos serviços já prestados e sensibilizar a sociedade sobre a situação enfrentada pelos médicos, que continuam atuando normalmente mesmo sem receber seus honorários há mais de dois meses.

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