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Lauro Müller busca novas famílias para ampliar o programa Família Acolhedora

O município de Lauro Müller busca ampliar o número de famílias cadastradas no programa Família Acolhedora, que oferece acolhimento temporário a crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por situações de risco ou violação de direitos. O assunto foi tema de entrevista no programa Cruz de Malta Notícias desta terça-feira (27), com a psicóloga Karen Serafim Jung e a assistente social Leila Demetrio dos Santos.

Segundo Leila, o programa é desenvolvido pelo município em parceria com o CREAS, a Assistência Social e outros integrantes da rede de proteção. O objetivo é garantir um ambiente seguro e familiar durante o período necessário para que a situação de origem seja avaliada e acompanhada.

“A gente busca sempre levar essas crianças para uma família onde elas vão estar seguras, onde vão ter os seus direitos guardados e vão estar sendo muito bem assistidas”, explicou a assistente social.

O acolhimento pode durar desde alguns dias até períodos mais longos, conforme cada caso. A decisão sobre o retorno à família de origem ou outros encaminhamentos cabe ao Poder Judiciário, com acompanhamento da equipe técnica. Quando há possibilidade de retorno, o processo ocorre gradualmente, com visitas e avaliações das condições familiares.

O programa atende crianças desde o nascimento até os 17 anos e 11 meses. Sempre que possível, irmãos são acolhidos juntos, preservando os vínculos familiares.

Uma das vantagens da modalidade é permitir que a criança permaneça na própria comunidade, mantendo, quando possível, a escola, as amizades e a convivência social. Diferentemente do acolhimento institucional, a criança passa a integrar temporariamente a rotina de uma família.

As famílias cadastradas recebem remuneração da prefeitura por criança acolhida e contam com acompanhamento psicossocial. A equipe realiza visitas domiciliares, orientações e encaminhamentos para serviços de saúde e atendimento psicológico, conforme a necessidade.

A psicóloga Karen Serafim Jung destacou que o suporte também é oferecido às famílias acolhedoras, inclusive após o encerramento do acolhimento. Segundo ela, o acompanhamento ajuda a preparar os participantes para receber outras crianças futuramente.

O serviço também mantém o sigilo sobre a identidade das famílias acolhedoras, uma medida importante para preservar a segurança e a privacidade dos envolvidos. De acordo com Karen, a equipe permanece disponível para prestar assistência, inclusive em situações que exigem atendimento fora do horário habitual.

Entre os principais receios de quem considera participar do programa está o envolvimento emocional com a criança e a dificuldade de se despedir quando chega o momento de seguir outro caminho.

Leila reconheceu que o vínculo afetivo é natural, mas ressaltou a importância do impacto positivo que a experiência pode proporcionar.

“A diferença que a família acolhedora vai fazer na vida daquela criança ou adolescente” é um dos aspectos que a equipe procura destacar para incentivar novas adesões, explicou.

A assistente social também afirmou que o município já conta com famílias cadastradas e uma alternativa institucional para os casos em que não é possível realizar o acolhimento familiar. Mesmo assim, a ampliação do cadastro é considerada importante para garantir maior disponibilidade de famílias diante de novas demandas.

As pessoas interessadas devem procurar o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) de Lauro Müller, localizado junto à estrutura da Assistência Social, nas proximidades do Cadastro Único. O CRAS também pode orientar os interessados sobre como entrar em contato com a equipe responsável.

O processo inclui cadastro, entrevista, visita domiciliar e apresentação de documentos, como RG, CPF, comprovante de renda, certidão de antecedentes criminais e atestado médico de saúde. Após a avaliação e a regularização do cadastro, a família poderá ser contatada quando houver uma criança ou adolescente que necessite de acolhimento.

Segundo Leila, não há exigência de uma faixa de renda específica, e pessoas aposentadas também podem participar. A idade máxima informada pela equipe é de 70 anos.

Interessados podem entrar em contato pelo WhatsApp do programa: (48) 98866-3292. Pelo número, é possível esclarecer dúvidas e receber orientações sobre os requisitos e as etapas para se cadastrar.

A equipe reforça que a participação no Família Acolhedora representa a oportunidade de oferecer proteção, cuidado e convivência familiar a crianças e adolescentes durante um período delicado de suas vidas.