O Governo de Santa Catarina pretende retomar a aviação regional por meio do programa Voe+ Santa Catarina, lançado com o objetivo de ampliar a mobilidade, fortalecer o ambiente de negócios e facilitar o deslocamento entre municípios do interior e Florianópolis. A expectativa é que as primeiras operações tenham início entre novembro e dezembro deste ano.
Em entrevista à Rádio Cruz de Malta FM, o secretário de Estado de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral, explicou que o programa busca resgatar um modelo de transporte aéreo que já existiu em Santa Catarina nas décadas de 1970 e 1980, quando cidades do interior eram atendidas por voos regionais.
Segundo o secretário, a retomada desse serviço pretende reduzir o tempo de deslocamento entre as diferentes regiões do Estado, oferecendo uma alternativa mais rápida e segura ao transporte rodoviário.
“Hoje, quem sai do Oeste em direção a Florianópolis pode levar oito, dez horas de viagem. A intenção é melhorar a mobilidade e também favorecer os negócios, já que o investidor busca reduzir o tempo gasto em deslocamentos”, destacou.
Sul catarinense terá dois aeroportos contemplados
Ivan Amaral confirmou que, na primeira etapa do programa, os aeroportos de Forquilhinha e Jaguaruna estarão entre os contemplados. Inicialmente, cada terminal contará com duas operações semanais ligando os municípios à Capital.
Além deles, também fazem parte da primeira fase os aeroportos de Blumenau, Joinville, Correia Pinto, Lages, São Miguel do Oeste, Joaçaba e Caçador, tendo Florianópolis como centro de conexões (hub).
O secretário ressaltou, entretanto, que o programa será flexível. A permanência das rotas dependerá da demanda registrada em cada aeroporto, permitindo ajustes e inclusão de novos municípios conforme a utilização do serviço.
Subsídio reduzirá o preço das passagens
De acordo com o secretário, o diferencial do programa é o subsídio estadual para custear parte da operação das aeronaves.
O Governo irá remunerar as empresas por hora de voo, enquanto a receita obtida com a venda de passagens e transporte de cargas será utilizada para reduzir o custo do subsídio.
Sem esse incentivo, uma passagem entre São Miguel do Oeste e Florianópolis poderia ultrapassar R$ 2 mil por trecho. Com o programa, o valor estimado ficará em torno de R$ 800. Para rotas como Forquilhinha e outros aeroportos mais próximos da Capital, a expectativa é de tarifas entre R$ 300 e R$ 400.
Segundo Amaral, a intenção é tornar o transporte aéreo acessível a uma parcela maior da população e estimular o desenvolvimento econômico das regiões atendidas.
Licitação em andamento
A licitação para a operação dos voos já foi lançada e, até o momento, a Azul Conecta foi a única empresa a apresentar proposta. Conforme o secretário, a documentação está em análise e, caso seja homologada, a empresa terá cerca de três meses para estruturar a operação, comercializar passagens e iniciar os voos.
O edital, segundo Amaral, foi elaborado com critérios rigorosos para garantir a continuidade do serviço. Entre as exigências estão experiência em aviação comercial, estrutura de manutenção, aeronave reserva, tripulação de apoio e capacidade para integrar os voos regionais às rotas nacionais e internacionais.
Sustentabilidade da operação
Questionado sobre a necessidade de subsídios para manter o programa, o secretário afirmou que esse modelo é indispensável para a aviação regional.
Ele explicou que aeronaves de pequeno porte possuem custos operacionais elevados, especialmente em relação ao combustível, que representa cerca de 40% das despesas de uma operação aérea. Sem apoio financeiro, afirmou, experiências semelhantes já fracassaram em Santa Catarina e em outros estados.
Além do pagamento por hora de voo, o Governo também oferece incentivos fiscais sobre o ICMS do querosene de aviação. Empresas que operarem em mais de seis aeroportos catarinenses poderão ter a alíquota reduzida de 17% para até 1,5%.
Operação prevista para o fim do ano
A expectativa da Secretaria de Portos, Aeroportos e Ferrovias é de que os primeiros voos do programa Voe+ Santa Catarina entrem em operação entre novembro e dezembro. Após o início das atividades, o Governo pretende avaliar a demanda e ampliar gradativamente o número de aeroportos e frequências atendidas no Estado.

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