O vereador Sargento Gledson Assis de Oliveira (PSD) explicou, durante entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta sexta-feira (28), os motivos que levaram à apresentação do requerimento que adiou a votação do projeto que autoriza o município de Lauro Müller a contratar um financiamento de R$ 15 milhões junto à Caixa Econômica Federal para a implantação da Área Industrial.
O requerimento foi aprovado pela Câmara de Vereadores por seis votos a dois. Segundo Gledson, o adiamento não significa uma posição contrária à criação da Área Industrial, mas uma tentativa de garantir que os vereadores tenham acesso a todas as informações necessárias antes de autorizar uma operação de crédito de longo prazo.
“Em nenhum momento a gente é contra a área industrial”, afirmou o vereador, destacando que considera o projeto importante para o desenvolvimento econômico e social do município.
Gledson relatou que o primeiro contato dos vereadores com a proposta ocorreu durante a apresentação realizada no dia 18 de junho, no Paço Municipal, quando foram apresentados os projetos para duas áreas na localidade do Arizona. Na ocasião, segundo ele, também foram apresentados os valores estimados: R$ 3,8 milhões para aquisição do terreno e R$ 11,2 milhões para obras de infraestrutura.
Para o vereador, houve uma pressão considerada desnecessária para que o Legislativo aprovasse rapidamente o financiamento. Ele defende que os vereadores deveriam ter participado de discussões anteriores sobre a escolha da área e as condições da operação de crédito.
De acordo com Gledson, posteriormente foram realizadas duas reuniões na Câmara para tratar do projeto e do impacto financeiro. Ainda assim, ele afirma que permanecem dúvidas que precisam ser esclarecidas antes da votação.
Um dos principais pontos levantados pelo vereador envolve a documentação do terreno escolhido para receber a Área Industrial. Segundo Gledson, a matrícula apresentada ainda estaria em nome de uma pessoa falecida e não teria sido atualizada.
Ele também questiona a aplicação do artigo 74 da Lei de Licitações, relacionado à inexigibilidade de licitação, e defende que seja demonstrada a singularidade do terreno escolhido. Na avaliação do vereador, seria necessário analisar outras áreas que poderiam atender à finalidade industrial, inclusive terrenos particulares e áreas pertencentes ao próprio município.
Gledson afirmou ainda que realizou um levantamento e identificou aproximadamente 227 mil metros quadrados de áreas públicas municipais que poderiam, segundo ele, ser avaliadas para eventual implantação de empreendimentos industriais, considerando as características e a localização de cada espaço.
Com o adiamento, a Câmara pretende solicitar ao Executivo documentos e informações complementares. Entre os materiais citados estão a documentação do terreno, justificativas para a escolha da área, estudos ambientais e de infraestrutura apresentados durante a reunião de junho, além de informações relacionadas às alternativas de localização.
Segundo o vereador, somente depois do recebimento desses documentos os vereadores deverão retomar as discussões com o Executivo para posteriormente colocar o projeto novamente em votação. Ainda não há um prazo definido para que a matéria volte à pauta.
Outro ponto destacado durante a entrevista foi a capacidade financeira de Lauro Müller para assumir uma nova operação de crédito. Gledson lembrou que o município já contratou financiamentos anteriores e, com a proposta de R$ 15 milhões para a Área Industrial, o volume citado por ele chegaria a aproximadamente R$ 26 milhões em financiamentos.
O vereador também demonstrou preocupação com as mudanças previstas no sistema tributário a partir de 2027 e seus possíveis reflexos na arrecadação municipal. Para ele, a análise da capacidade financeira futura precisa fazer parte da decisão sobre o novo empréstimo.
“Somos a favor da Área Industrial”, reforça vereador
Ao final da entrevista, Gledson voltou a enfatizar que o adiamento não representa uma tentativa de barrar o projeto. Segundo ele, os vereadores precisam avaliar alternativas e verificar se existem formas de implantar a Área Industrial que possam gerar menor impacto financeiro para o município.
O vereador citou possíveis áreas em diferentes localidades, incluindo regiões próximas a rodovias e pontos estratégicos para logística, e defendeu que essas alternativas sejam analisadas antes da definição definitiva do local.
“Nós somos sim a favor da área industrial, nós somos sim a favor do desenvolvimento do nosso município”, reforçou Gledson.
A expectativa agora é que o Executivo encaminhe à Câmara os documentos e esclarecimentos solicitados. A partir dessas informações, os vereadores deverão voltar a discutir o projeto antes de uma nova votação sobre a autorização para contratação do financiamento de R$ 15 milhões.

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