A FETAESC (Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina) entregou aos candidatos ao Governo de Santa Catarina um documento com demandas e propostas do movimento sindical dos trabalhadores rurais para o fortalecimento da agricultura familiar no Estado. O assunto foi abordado pelo presidente da entidade, José Walter Dresch, em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta quarta-feira (30).
Segundo Dresch, o documento foi encaminhado a todos os candidatos ao governo, por meio de contatos diretos ou mediante protocolo nos comitês e diretórios partidários. A intenção é apresentar as principais necessidades enfrentadas pelos agricultores familiares e subsidiar as ações do próximo governo.
Entre os temas apontados estão a melhoria das estradas vicinais, energia elétrica, telefonia móvel, internet, segurança, creches e escolas no meio rural, além de políticas voltadas à permanência dos jovens no campo e à sucessão rural.
“O setor produtivo não quer fazer oposição, ele quer fazer proposição”, afirmou Dresch.
O presidente da FETAESC destacou que a agricultura familiar tem papel relevante na produção de alimentos e defendeu políticas que permitam aos jovens permanecerem nas propriedades rurais quando essa for a escolha deles.
“Nós precisamos garantir para aquele produtor que planta alface, que planta tomate, que cria frango, que cria suínos, que faz a atividade com mão de obra familiar, para que ele continue lá”, explicou.
Dresch também ressaltou que a entidade não se posiciona contra o agronegócio de grande escala e afirmou que a agricultura familiar também integra o setor agropecuário.
“A FETAESC não é contra a grande propriedade, não é contra o grande agro, até porque nós fazemos agro também enquanto agricultura familiar”, declarou.
Demandas construídas a partir da realidade dos municípios
De acordo com o presidente, as propostas apresentadas aos candidatos foram construídas a partir da experiência da FETAESC e da estrutura sindical presente em diferentes regiões de Santa Catarina. A entidade possui 16 regionais que coordenam 184 sindicatos, com atuação em mais de 200 municípios, considerando também as extensões de base.
Para Dresch, essa presença permite identificar diretamente os problemas enfrentados pelos agricultores.
“Quem sabe onde o sapato aperta no pé é aquele cidadão que está lá na ponta”, destacou.
Entre os exemplos citados está a dificuldade relacionada à infraestrutura de energia elétrica. Segundo o presidente, há produtores que precisam investir valores elevados para ampliar a rede e viabilizar atividades como granjas e aviários.
Dresch também mencionou a necessidade de recuperação da rede elétrica rural e criticou a lentidão na execução de melhorias. Outro ponto destacado foi o crédito fundiário. Conforme relatou, mais de 1,5 mil possíveis beneficiários foram preparados e orientados pelo programa, mas pouco mais de 100 unidades teriam sido efetivamente concretizadas.
A entidade também defende o fortalecimento das equipes responsáveis pela execução das políticas públicas, além da ampliação de programas de apoio à agricultura familiar, incentivo às pequenas agroindústrias, agregação de valor à produção e redução da burocracia.
FETAESC cobra maior diálogo com o Governo do Estado
Durante a entrevista, José Walter Dresch também explicou o descontentamento manifestado pela entidade em relação à condução do diálogo com o atual governo estadual.
Segundo ele, a principal reivindicação é que o governo mantenha canais permanentes de diálogo com as entidades que representam os agricultores.
“Quem governa um Estado precisa ouvir as bases”, afirmou.
Dresch lembrou que, em períodos anteriores, a FETAESC mantinha reuniões semestrais ou, pelo menos, anuais com a estrutura do Governo do Estado para apresentar as demandas do setor. Na avaliação do presidente, esse espaço de interlocução precisa ser retomado.
“Essa é uma queixa que eu faço ao atual governo, a quem vir a governar Santa Catarina, enfim, a quem continuar governando Santa Catarina, para que nos ouça”, disse.
O presidente reforçou que a entidade pretende manter uma postura institucional, sem alinhamento partidário ou ideológico, concentrando sua atuação nas necessidades dos trabalhadores rurais.
“A gente não vem para tomar posição partidária, questão ideológica, isso não transita aqui dentro da FETAESC. O que nós fazemos é levar as demandas, a necessidade, aquilo que o nosso produtor rural, o nosso agricultor, o orizicultor, produtor de frango, de suínos, o produtor de leite, levar lá para quem é governo essa demanda.”
Para Dresch, as reivindicações apresentadas são medidas necessárias para que os agricultores possam continuar desenvolvendo suas atividades no interior do Estado.
“O agricultor não está a pedir nada exagerado, nada impossível, está a pedir apenas que ele possa continuar com tranquilidade desenvolvendo essa atividade tão importante que é a agricultura familiar.”
Ao final da entrevista, o presidente da FETAESC reforçou a disposição da entidade em atuar em parceria com o poder público na construção de políticas para o setor.
“A FETAESC quer ser parceira na proposição de políticas que desenvolvam o Estado catarinense.”
Ouça a entrevista completa:

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