A união entre municípios do Sul catarinense ganhou forma e direcionamento na última semana durante a plenária da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), realizada em Jacinto Machado e sediada pela Associação Empresarial local (Acijam). O encontro reuniu lideranças empresariais com o objetivo de consolidar as principais demandas da região, que irão compor o programa Voz Única 2026.
A iniciativa busca transformar reivindicações históricas em uma agenda estratégica de desenvolvimento regional. Antes da plenária, foram apresentados 109 pleitos pelas associações empresariais, sendo 81 novas propostas e 28 já defendidas em edições anteriores. Após consulta aos associados, foram registrados 1.517 votos, evidenciando forte engajamento do setor produtivo.
A infraestrutura despontou como a principal prioridade, concentrando 531 votos (35% do total). O principal gargalo apontado é o Morro dos Cavalos, em Palhoça, considerado um entrave logístico estratégico. Em seguida, a segurança pública aparece com 222 votos (14,6%).
Com base nesse diagnóstico, foram definidos quatro eixos prioritários — infraestrutura, segurança, educação e saúde — que resultaram em seis pautas principais a serem defendidas junto ao poder público. As demais demandas continuarão sendo trabalhadas individualmente pelas entidades.
Outro destaque foi a continuidade da Campanha do Voto Regional, que busca incentivar a população a priorizar candidatos da própria região nas eleições.
A efetividade do programa Voz Única é constatada ao transformar demandas em conquistas concretas. Como exemplo, a assinatura da ordem de serviço para a retomada das obras da SC-442, entre Morro da Fumaça e Cocal do Sul, paralisadas há mais de uma década.
A regional Extremo Sul é composta por associações empresariais de Jacinto Machado, Criciúma, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Forquilhinha, Araranguá, Urussanga, Cocal do Sul, Orleans, Içara, Balneário Gaivota e Sombrio.
O segundo vice-presidente da Facisc, César Smielevski, que coordenou a plenária, participou de entrevista no Cruz de Malta Notícias desta terça-feira (21) e abordou as prioridades regionais, além de destacar a campanha “Aqui Não”, mobilização estadual contra a violência de gênero.
A iniciativa surgiu a partir de convite do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para adesão ao Protocolo “Não é Não” e evoluiu para um movimento mais amplo, voltado à conscientização, prevenção e mudança cultural dentro das empresas.
Apesar dos avanços econômicos, Santa Catarina ainda enfrenta números preocupantes relacionados à violência contra a mulher. Entre 2020 e 2024, foram registrados 364.066 casos, média de 199,6 ocorrências por dia, incluindo 80.905 casos de lesão corporal, 2.812 estupros e 277 feminicídios, segundo dados do Observatório da Violência Contra a Mulher.

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