A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) disponibilizou um boletim técnico com orientações para reduzir os prejuízos na agropecuária e na pesca diante da previsão de chuvas mais intensas associadas ao fenômeno El Niño. O material reúne recomendações para diferentes culturas e auxilia os produtores na adoção de medidas preventivas.
Em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (26), o diretor de Extensão Rural e Pesqueira da Epagri, Gustavo Claudino, explicou que o objetivo é antecipar decisões e preparar os agricultores para possíveis impactos climáticos.
“Nossa preocupação foi antecipar todo esse processo de tomada de decisão, apresentando um material informativo aos produtores em relação às diversas culturas com as quais trabalhamos no Estado de Santa Catarina”, afirmou.
Entre as orientações estão cuidados com o manejo das lavouras, os tratos culturais e a proteção da infraestrutura das propriedades. A Epagri também recomenda atenção ao armazenamento de máquinas, equipamentos e insumos, evitando perdas em áreas vulneráveis a alagamentos e precipitações intensas.
Segundo Claudino, outubro e novembro já são meses naturalmente chuvosos em Santa Catarina, e o El Niño pode intensificar esse cenário. Os modelos meteorológicos apontam para a possibilidade de volumes elevados de chuva, com efeitos que podem se estender até o fim do ano e o início de 2027.
Os prejuízos dependem do volume de chuva, da região e do estágio de desenvolvimento de cada cultura. O diretor destacou que lavouras de cebola e feijão estão entre as mais sensíveis ao excesso de precipitação.
“Temos culturas como a cebola, que é muito mais sensível, e o feijão. Quando acontece uma lavoura de feijão e há um volume acentuado de chuva, ela dificilmente consegue se recuperar”, explicou.
A pecuária também pode ser afetada, embora os sistemas baseados em pastagens apresentem capacidade de recuperação. Já a produção de arroz no litoral catarinense é outro exemplo de atividade que pode sofrer impactos em períodos de chuva intensa.
Claudino ressaltou que os efeitos podem comprometer a produtividade, a colheita e os tratos culturais, além de provocar perdas de solo e danos a equipamentos e estruturas das propriedades.
O material técnico pode ser solicitado nos escritórios municipais da Epagri, que também fazem a divulgação por meios digitais, como WhatsApp e e-mail.
Além de consultar o boletim, a orientação é que os produtores mantenham contato frequente com os extensionistas e acompanhem as informações meteorológicas disponibilizadas pelo Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Ciram).
“É importante os produtores manterem uma frequência de visita aos escritórios, trocar informações em relação à questão do clima e, com os materiais que temos à disposição, tomar as melhores decisões em conjunto com os nossos técnicos”, destacou o diretor.
Para Claudino, a preparação antecipada é fundamental para fortalecer a resiliência da agricultura catarinense diante de eventos climáticos cada vez mais recorrentes e reduzir os impactos econômicos sobre as propriedades rurais.

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