Santa Rosa de Lima foi palco, no último fim de semana, do 2º Encontro Internacional de Turismo Intercultural, que reuniu mais de 200 participantes de diferentes regiões do Brasil e também do Chile, Bolívia e Colômbia. A programação promoveu debates e trocas de experiências sobre turismo comunitário, agroecologia, agricultura familiar e valorização dos conhecimentos e culturas locais.
Em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (17), Thaise Guzzatti, cofundadora da Acolhida na Colônia, avaliou o encontro como um marco para Santa Rosa de Lima e para o território das Encostas da Serra Geral.
Segundo Thaise, o evento reuniu diferentes etnias indígenas, comunidades quilombolas, camponeses, agricultores familiares e agências especializadas em turismo de base comunitária. A proposta é estimular um modelo de viagem baseado na experiência, no contato com as pessoas e na compreensão da história, da cultura e da geografia de cada território.
Santa Rosa de Lima como referência
A escolha de Santa Rosa de Lima para sediar o encontro, segundo Thaise, está relacionada à trajetória do município na construção de iniciativas ligadas ao turismo rural e comunitário. Ela destacou a atuação da Acolhida na Colônia, considerada uma referência nacional e internacional nesse segmento.
A realização do evento chegou a ser discutida para Florianópolis, principalmente pela estrutura disponível na capital. No entanto, os organizadores optaram por realizar a programação em Santa Rosa de Lima, justamente para valorizar uma experiência já consolidada no território.
A estrutura do município, incluindo pousadas, entidades, empresas e organizações locais, foi mobilizada para receber os visitantes.
Turismo que fortalece identidade e pertencimento
Durante a entrevista, a cofundadora da Acolhida na Colônia também ressaltou que o turismo de experiência produz efeitos que vão além da movimentação econômica.
Segundo ela, esse modelo contribui para fortalecer a autoestima, o pertencimento e o orgulho das comunidades em relação aos próprios territórios. Durante o encontro, agricultores e agricultoras tiveram espaço para apresentar seus trabalhos, conhecimentos e tradições herdadas de gerações anteriores.
Thaise citou ainda a participação de Lauro Müller no evento, representado pelos Vinhos Martinhiago, e destacou iniciativas desenvolvidas no município, como o projeto de turismo científico em parceria com a UFSC e a realização de feiras.
Para ela, o trabalho desenvolvido em Lauro Müller vem ganhando destaque dentro da rede da Acolhida na Colônia e servindo de referência para outros municípios associados.
Sete painéis e uma carta de compromissos
Ao longo dos três dias de programação, foram realizados sete painéis, com apresentações de experiências locais, nacionais e internacionais. Entre os temas estiveram modelos de roteiros turísticos, integração entre agricultura e turismo, participação de comunidades tradicionais e estratégias de comercialização.
Representantes de agências especializadas em turismo de base comunitária de São Paulo, Chile e Ceará também participaram dos debates, apresentando estratégias para alcançar um público interessado em experiências de maior contato com as comunidades.
Outro tema abordado foi a formulação de políticas públicas. A Prefeitura de Santa Rosa de Lima apresentou iniciativas de planejamento, gestão e aplicação de recursos públicos, enquanto a Embratur participou das discussões sobre as políticas nacionais voltadas ao segmento.
Como resultado do encontro, foi elaborada uma carta com compromissos e reivindicações relacionadas ao desenvolvimento do turismo intercultural. Conforme Thaise, o documento deverá servir como base para a busca de melhorias nas políticas públicas estaduais e nacionais para o setor.
A expectativa é que, após o período eleitoral, as entidades envolvidas ampliem o diálogo com os governos para defender mudanças e novas políticas capazes de fortalecer o turismo de base comunitária e intercultural no Brasil.

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