O setor carbonífero do Sul de Santa Catarina recebeu, na última semana, representantes de uma empresa chinesa especializada em tecnologia de backfill, técnica que permite devolver rejeitos e outros materiais ao subsolo de minas subterrâneas.
A visita foi articulada após a participação da empresa Feny Backfilling, sediada na China, na Exposibram, realizada em Belo Horizonte. A partir do contato com o setor carbonífero catarinense, os representantes solicitaram uma agenda para apresentar as soluções desenvolvidas pela empresa às mineradoras da região.
Segundo o diretor técnico do SIECESC Carvão+, Márcio Zanuz, participaram do encontro empresas catarinenses que possuem operações de subsolo. Durante a apresentação, os chineses detalharam equipamentos, sistemas e serviços utilizados no processo, incluindo bombas, misturadores, moinhos, estações, softwares e projetos de engenharia.
A técnica consiste em utilizar parte dos rejeitos gerados durante a mineração e devolvê-los ao subsolo, em vez de destiná-los integralmente a depósitos na superfície. Além de reduzir a quantidade de material armazenado externamente, o procedimento pode contribuir para a estabilidade das áreas mineradas.
De acordo com Zanuz, boa parte das minas de carvão da região já utiliza o backfill, e a tecnologia apresentada pelos chineses poderia representar um aprimoramento e uma intensificação desse processo.
Durante a visita, os representantes da empresa também buscaram informações sobre as características do carvão catarinense, os rejeitos produzidos, a capacidade das operações e os volumes envolvidos. O objetivo é utilizar esses dados para realizar um primeiro dimensionamento e avaliar quais soluções poderiam ser aplicadas às necessidades das empresas locais.
Um dos pontos que mais chamou a atenção do setor catarinense foi a experiência chinesa com a utilização do backfill. Conforme explicado durante a apresentação, a regulamentação da China estabelece a devolução de rejeitos ao subsolo em determinadas operações de mineração. A medida busca reduzir riscos de subsidência e preservar a estrutura da superfície, além de permitir um melhor aproveitamento do espaço e do material mineralizado.
A China também é considerada, segundo o SIECESC, uma das principais referências mundiais em desenvolvimento tecnológico para o setor carbonífero. Zanuz explica que o país mantém investimentos em diferentes fontes de energia, incluindo carvão, o que impulsiona o desenvolvimento de novas tecnologias para a atividade.
Próximos passos
A aproximação entre as empresas catarinenses e a Feny Backfilling deve continuar. Os representantes chineses deixaram a região levando amostras dos rejeitos produzidos pelas mineradoras catarinenses, que serão submetidas a testes de caracterização.
A expectativa é que os resultados auxiliem na elaboração de propostas mais específicas para as operações da região.
Também ficou encaminhada a possibilidade de uma missão catarinense à China, com o objetivo de conhecer as empresas, equipamentos e serviços oferecidos pela Feini Backfilling, além de visitar a sede da companhia.
A iniciativa poderá abrir caminho para uma futura parceria tecnológica e para o aprimoramento das técnicas de backfilling já utilizadas pelas mineradoras do Sul de Santa Catarina.

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