O fenômeno El Niño volta a preocupar os produtores rurais do Sul de Santa Catarina devido aos impactos que pode provocar na agricultura da região. Caracterizado pelo aumento da frequência e do volume das chuvas, o fenômeno exige atenção especial dos agricultores, principalmente nos períodos de plantio e colheita.
Entre os principais efeitos esperados estão o excesso de umidade e o encharcamento do solo, fatores que podem dificultar os trabalhos no campo, comprometer o desenvolvimento das plantas e aumentar o risco de perdas em áreas sujeitas a alagamentos. Além disso, as condições úmidas favorecem a proliferação de fungos e doenças que atingem diversas culturas agrícolas.
Na região Sul catarinense, lavouras de arroz, milho, feijão, fumo e hortaliças estão entre as mais vulneráveis aos efeitos do El Niño. Por isso, o monitoramento constante das condições climáticas e o planejamento adequado das atividades agrícolas são apontados como medidas essenciais para minimizar prejuízos.
O pesquisador e climatologista da Estação Experimental da Epagri de Urussanga, Márcio Sônego, participou do programa Cruz de Malta Notícias desta sexta-feira (5) e destacou que o principal impacto do fenômeno para a região está relacionado ao aumento das chuvas.
“O El Niño pra nós, aqui no Sul catarinense, é mais questão de chuva volumosa. Não é tanto ventania, granizo ou temporal. É mais chuva volumosa”, explicou.
Segundo ele, embora o mês de junho seja considerado um período mais tranquilo para a agricultura, os reflexos do fenômeno devem ser sentidos com maior intensidade ao longo do segundo semestre, quando avançam os plantios de culturas importantes para a economia regional.
Sônego alertou especialmente para os desafios enfrentados pelos produtores de leite. “Vai ter muita umidade no segundo semestre. Os potreiros vão praticamente virar lodaçal em função do gado pisoteando as pastagens”, afirmou.
As lavouras de milho e o cultivo do fumo também devem sofrer com o excesso de umidade. Como medida preventiva, o climatologista recomenda adaptações no manejo agrícola. “Em anos de El Niño, por exemplo, o plantio de fumo deve ser feito com camalhão alto e de base larga para evitar que a umidade do solo prejudique os plantios”, orientou.
De acordo com o especialista, o cenário exige planejamento por parte dos agricultores para enfrentar um período marcado por elevada umidade, formação de áreas encharcadas e dificuldades tanto nas lavouras quanto nas pastagens.
A expectativa é que os produtores acompanhem atentamente as previsões meteorológicas nos próximos meses e adotem estratégias de manejo capazes de reduzir os impactos do fenômeno, preservando a produtividade e evitando prejuízos nas propriedades rurais da região.

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