Uma campanha de conscientização promovida pela Secretaria de Saúde de Cocal do Sul ganhou repercussão muito além do esperado e provocou um amplo debate sobre a violência doméstica e o ciclo de abusos vivenciado por muitas mulheres. A ação, instalada em via pública no fim de dezembro, chamou a atenção pelo impacto emocional e pela forma inusitada de comunicação.
A primeira faixa exibida trazia a mensagem: “Maria, eu te amo. Desculpa aquele dia, eu estava nervoso. Volta pra mim!”. A frase levou muitas pessoas a acreditarem que se tratava de um pedido real de reconciliação, feito por um homem arrependido. Em pouco tempo, a suposta “Maria” passou a ser assunto nas redes sociais, dividindo opiniões.
Enquanto alguns internautas pediam para que ela aceitasse o pedido, outros alertavam para os riscos embutidos em frases comuns em relacionamentos abusivos. Expressões como “eu estava nervoso” foram apontadas como tentativas recorrentes de minimizar agressões e normalizar a violência dentro das relações.
Duas semanas depois, uma segunda faixa foi instalada ao lado da primeira, alterando completamente a interpretação da ação. O novo material trouxe a mensagem direta: “O arrependimento também faz parte do ciclo da violência”, acompanhada da orientação para denúncia por meio do Disque 180.
A campanha teve como principal objetivo provocar reflexão, romper o silêncio e estimular o debate sobre a violência contra a mulher. A personagem “Maria” é fictícia, mas representa uma realidade alarmante no município. Dados do Observatório da Violência contra a Mulher apontam que, entre janeiro e novembro de 2025, foram registrados 107 casos de violência contra mulheres em Cocal do Sul. Do total, 58 ocorrências foram por ameaça, 22 por violência moral, 20 por violência física, seis por vias de fato e um caso de estupro.
A secretária municipal de Saúde, Giovana Galato, participou de entrevista no Cruz de Malta Notícias e destacou que a ação cumpriu seu papel ao gerar debate nas redes sociais e evidenciar como pedidos de perdão e justificativas fazem parte do ciclo da violência doméstica, reforçando a importância da denúncia e da conscientização da população.

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