A Associação dos Surdos de Criciúma iniciou um levantamento para identificar quantas pessoas surdas vivem em Criciúma e nos demais municípios da Região Carbonífera. A pesquisa abrange os 12 municípios da AMREC e pretende reunir informações que ajudem a entidade a compreender melhor a realidade da comunidade surda e direcionar novas ações.
Em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (28), o representante da Associação dos Surdos de Criciúma, Edi Carlos de Rezende, explicou que os dados disponíveis atualmente não apresentam, segundo a entidade, um retrato suficientemente detalhado da realidade das pessoas surdas.
“Há alguns dados que são inconsistentes, podemos dizer, porque há uma realidade bastante diferente quando a gente trata da pessoa surda”, afirmou. Segundo Edi, é necessário considerar diferentes situações, como pessoas que nasceram surdas, aquelas que desenvolveram a surdez ao longo da vida e crianças surdas.
A intenção, de acordo com o representante, é utilizar as informações para ampliar a acessibilidade e a inclusão na região. “A gente lançou esse levantamento, essa nossa pesquisa, para que a gente possa entender melhor a realidade e para que a gente possa buscar mais acessibilidade, mais inclusão em toda a região”, explicou.
Como participar do levantamento
As pessoas surdas e seus familiares podem participar da pesquisa por meio do Instagram da Associação dos Surdos de Criciúma, @asc.surdoscriciuma, ou pelo telefone (48) 99849-6322. Também está disponível um formulário on-line (clique aqui), que reúne informações como município, idade e dados relacionados à família.
Edi destacou que a participação da população é importante para que a entidade consiga construir um diagnóstico mais amplo da região.
“Pela Associação dos Surdos de Criciúma é o primeiro” levantamento realizado com esse objetivo, explicou. A iniciativa ganhou força após a mudança da diretoria da entidade, que assumiu em 2026.
O representante também ressaltou a importância de ampliar o conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Segundo ele, embora a Libras seja utilizada por muitas pessoas surdas, nem todas se comunicam por meio dela, o que exige que as famílias e a sociedade compreendam as diferentes realidades existentes.
Dados devem orientar novas ações
A associação pretende trabalhar na coleta de informações durante o fim de setembro e o mês de outubro. Com os dados reunidos, a entidade deverá buscar um contato mais próximo com as pessoas e famílias identificadas.
“A gente vai tentar fazer um contato com essas pessoas que nos forneceram os dados para que a gente chame, que a gente faça esse chamado mais próximo da Associação, para que eles possam participar e conhecer os seus direitos também”, afirmou Edi.
A entidade também estuda realizar ações nos municípios da região para aproximar a comunidade surda e seus familiares. A proposta é levar atividades da associação para diferentes cidades da AMREC, promovendo encontros e ampliando o acesso às informações sobre direitos e inclusão.
Associação atua em inclusão, emprego e acesso a direitos
Além do levantamento, a Associação dos Surdos de Criciúma desenvolve ações voltadas à participação das pessoas surdas na escola, no mercado de trabalho e na sociedade.
Edi explicou que a entidade mantém parcerias com empresas que disponibilizam oportunidades de emprego para pessoas surdas. “A gente compartilha todas essas informações com a comunidade surda, a gente tenta combater o preconceito diariamente”, destacou.
A associação também promove palestras e orientações sobre os direitos das pessoas surdas. Entre os temas estão situações enfrentadas no atendimento em hospitais, delegacias, postos de saúde e outros serviços públicos, especialmente quando não há profissionais capacitados para a comunicação em Libras.
“É necessário também que a gente tenha pessoas que saibam se comunicar com a pessoa surda”, afirmou Edi, ao defender a ampliação da acessibilidade nos serviços públicos e nos diferentes espaços da sociedade.
Para o representante, o trabalho da entidade também busca fortalecer a própria comunidade surda e oferecer apoio às famílias. “Quando uma família, o pai e a mãe têm um filho ou uma filha que é surda, às vezes fica sem o chão. Mas se nós temos esse apoio da Associação dos Surdos, outras pessoas que têm essa vivência, é mais fácil de entender e de inserir todas as pessoas surdas”, explicou.
Edi reforçou ainda que, apesar dos avanços na legislação e nos direitos das pessoas surdas, ainda existem desafios relacionados à acessibilidade e à inclusão. “Avançou muito a Lei da Libras, avançou muito os direitos para a pessoa surda, só que tem muito a ser trabalhado ainda”, concluiu.
Quem quiser participar do levantamento pode entrar em contato com a Associação dos Surdos de Criciúma pelo telefone (48) 99849-6322 ou pelo Instagram @asc.surdoscriciuma.
Ouça a entrevista completa:

LIGUE