Ouvir ao vivo
89,9 FM
SINTONIZE
(48) 3464-3364
LIGUE
(48) 3464-3364
MANDE WHATSAPP

Documentário sobre tenor Aldo Baldin conquista 25º prêmio internacional em festival de cinema na França

O documentário Aldo Baldin – Uma Vida pela Música, dirigido e produzido pelo cineasta catarinense Yves Goulart, conquistou mais um reconhecimento internacional. A produção recebeu o troféu oficial do Champs-Élysées Film Awards, premiação realizada em Paris, na França. O resultado representa o 25º prêmio conquistado pelo filme desde sua estreia, em 2024.

Natural de Urussanga e atualmente residente em Nova York, nos Estados Unidos, Yves participou de entrevista no programa Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (02), quando destacou a importância da conquista para o cinema catarinense e para a valorização da história cultural da região Sul do estado.

“Esse reconhecimento é muito importante para que a gente possa continuar o nosso caminho, o caminho do cinema, do audiovisual, que é tão raro também na nossa região Sul de Santa Catarina”, afirmou.

O cineasta ressaltou que o documentário levou 14 anos para ser produzido e reúne uma extensa pesquisa sobre a trajetória do tenor Aldo Baldin, nascido na localidade de Belvedere, em território que hoje pertence ao município de Treviso. A produção percorreu diferentes cidades brasileiras e também países como Argentina e Alemanha, reunindo entrevistas e depoimentos em português, alemão e espanhol.

Para Yves, o reconhecimento em Paris tem um significado especial, considerando a relação do tenor com a Europa e sua trajetória internacional. O filme foi premiado nas categorias de Melhor Documentário, Edição e Direção.

“Para um filme brasileiro, catarinense, da nossa região Sul de Santa Catarina, é muito legal. Aldo Baldin – Uma Vida pela Música não é um filme meu, é um filme nosso, é um filme da nossa região”, destacou.

O documentário busca resgatar a história de Aldo Baldin, considerado um dos grandes expoentes da música clássica brasileira. O tenor construiu carreira internacional, interpretando obras de compositores como Johann Sebastian Bach, Beethoven e Mozart, além de se apresentar em importantes teatros e salas de concerto pelo mundo.

Ao longo da carreira, gravou cerca de 100 discos por gravadoras internacionais de renome, como Philips, Deutsche Grammophon e Sony. Em 1981, conquistou um Grammy pela interpretação da obra A Criação, de Joseph Haydn.

Além da carreira como cantor, Baldin também teve atuação importante como professor de música, transmitindo seus conhecimentos a estudantes de diferentes países. Morreu aos 49 anos, quando ainda estava no auge de sua trajetória profissional.

“É um expoente da cultura clássica brasileira. A história precisava ser resgatada, porque é uma história nossa, de Santa Catarina”, ressaltou Yves.

A realização do documentário também exigiu superar dificuldades financeiras e estruturais. Produzido de forma independente, com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, o projeto enfrentou períodos de paralisação até conseguir avançar na etapa de finalização.

Com formação em Cinema pela universidade, no Rio de Janeiro, Yves assumiu diferentes funções na produção, incluindo direção, produção e montagem. Segundo ele, a experiência profissional no jornalismo e no trabalho como repórter cinematográfico nos Estados Unidos contribuiu diretamente para o desenvolvimento do projeto.

“A técnica de jornalismo me trouxe para esse lugar da entrevista, da escuta, da conversa, da pausa, sem contar o domínio técnico do microfone, da câmera, da fotografia, da luz, do enquadramento e também da edição”, explicou.

Orgulho das raízes catarinenses

Mesmo com uma carreira construída internacionalmente, Yves mantém fortes vínculos com Urussanga e Lauro Müller. Durante a entrevista, recordou os momentos da infância em localidades como Barro Branco e Rio Bonito, além das lembranças da Festa de Santa Bárbara e dos familiares que vivem na região.

O cineasta também destacou que sua empresa, Goulart Filmes, permanece registrada em Urussanga, onde mantém um estúdio e parte de seu acervo de premiações.

“Eu me sinto muito feliz de poder representar Santa Catarina, principalmente Urussanga, que é uma cidade da qual tenho muito orgulho. Meus pais ainda moram ali”, afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Yves deixou uma mensagem de carinho à região Sul catarinense e aos ouvintes da Cruz de Malta FM, emissora com a qual mantém uma ligação familiar, já que seu tio Júlio atuou como locutor da rádio.

“Lau​​ro Müller, o Barro Branco, eu tenho e levo no meu coração como um lugar de conforto e também um lugar onde passei a minha infância”, concluiu.