A Prefeitura de Orleans prepara a abertura de um novo processo seletivo, em caráter de urgência, para contratar cinco monitores para atuar no estacionamento rotativo do município. Atualmente, o serviço conta com apenas três profissionais, número considerado insuficiente pela administração municipal para atender à demanda, especialmente com a proximidade do período de maior movimento no comércio, durante as festas de fim de ano.
O assunto foi abordado pelo secretário de Administração e Fazenda, Airton Bratti Coan, em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias, nesta segunda-feira (2). Segundo ele, a intenção é publicar o edital nos próximos dias e concluir as contratações até o final de novembro.
Airton explicou que a prefeitura chegou a contar com seis monitores desde que assumiu a administração do estacionamento rotativo, mas não conseguiu atingir o quadro inicialmente planejado, de oito profissionais. A situação se agravou no dia 21 de outubro, quando um dos trabalhadores pediu demissão, reduzindo a equipe para três monitores.
Além dos profissionais que atuam diretamente nas ruas, o serviço conta com um gerente e uma atendente na estrutura administrativa.
“Estamos com três monitores hoje e queremos chegar a oito. Teríamos que contratar mais cinco pessoas para conseguir tocar o serviço normalmente”, afirmou o secretário.
Um dos principais desafios apontados pela administração municipal é a concorrência com as empresas privadas de Orleans, que oferecem remunerações superiores às pagas aos monitores do estacionamento rotativo.
De acordo com Airton, o salário oferecido pela prefeitura é de aproximadamente R$ 2,7 mil, enquanto a média salarial de algumas empresas da cidade chega a cerca de R$ 3,2 mil.
“Temos uma concorrência muito grande com as empresas de Orleans. No decorrer do ano, as empresas acabam assediando os monitores para irem trabalhar com elas. É natural que procurem um salário maior”, explicou.
O secretário destacou que existe uma limitação orçamentária que impede o município de aumentar a remuneração neste momento. Por isso, a administração busca alternativas para manter o funcionamento do estacionamento rotativo sem depender exclusivamente da ampliação da equipe.
Entre as alternativas estudadas está o incentivo ao uso das ferramentas digitais disponíveis para o pagamento do estacionamento. Atualmente, os motoristas podem utilizar um aplicativo, realizar o pagamento via Pix ou fazer a leitura dos QR Codes instalados nas placas de sinalização. Também permanece disponível o atendimento presencial com os monitores.
Segundo Airton, muitos usuários ainda preferem procurar diretamente os profissionais para efetuar o pagamento, o que aumenta a necessidade de manter uma equipe numerosa nas ruas.
Para o secretário, uma campanha de conscientização pode ajudar a mudar esse comportamento e tornar o serviço menos dependente da mão de obra.
“Se a população entender e comprar essa ideia, com três monitores hoje, como a gente tem, conseguiríamos tocar tranquilamente o rotativo. O futuro é esse: a mão de obra vai estar cada vez mais escassa, então temos que tornar o sistema cada vez mais digital”, avaliou.
Outra possibilidade considerada pela prefeitura é contratar um veículo equipado com câmeras de reconhecimento óptico de caracteres (OCR), tecnologia que permite identificar automaticamente os veículos estacionados e verificar a utilização do sistema.
No entanto, Airton ponderou que a implantação dessa modalidade depende de uma adesão maior dos motoristas ao aplicativo. Segundo ele, a fiscalização automatizada poderia gerar notificações em grande quantidade caso os usuários ainda não estejam familiarizados com as alternativas digitais.
Terceirização não está descartada
Durante a entrevista, o secretário também comentou sobre a possibilidade de voltar a terceirizar a administração do estacionamento rotativo. Antes de a prefeitura assumir o serviço, a cobrança era realizada por uma empresa especializada.
Airton afirmou que a terceirização não está completamente descartada, embora não seja a preferência da atual administração. Segundo ele, o modelo municipal permite manter os valores cobrados dos usuários em patamares menores, além de garantir postos de trabalho.
“Eu não descartaria a terceirização, mas o prefeito quer que seja feito por funcionários. Além de garantir emprego e pagamento para eles, a taxa do rotativo é menor. Se terceirizarmos, com certeza os valores vão subir e a população pode acabar pagando mais caro”, explicou.
O secretário reconheceu, porém, que a alternativa poderá ser reavaliada caso o município não consiga encontrar uma solução para manter o serviço funcionando adequadamente com a estrutura atual.
A expectativa da administração é que o novo processo seletivo consiga atrair candidatos suficientes para completar o quadro de oito monitores. Para o próximo ano, a prefeitura também planeja realizar um concurso público, buscando dar maior estabilidade à composição da equipe responsável pelo serviço.

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