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Jorge Koch avalia derrota nas urnas, critica rumos do MDB e admite que pode encerrar carreira como candidato

O ex-prefeito de Orleans Jorge Koch (MDB), que disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) nas eleições do último domingo (4), participou de entrevista no programa Cruz de Malta Notícias desta sexta-feira (9). Na conversa, ele avaliou o desempenho nas urnas, reconheceu dificuldades enfrentadas pelo MDB, comentou a influência das redes sociais nas campanhas e sinalizou que pode deixar de disputar cargos eletivos.

Koch recebeu 25.208 votos em todo o estado, sendo 776 em Lauro Müller e aproximadamente 4,1 mil em Orleans. A votação ficou abaixo da expectativa do candidato, que trabalhava com a meta de alcançar 40 mil votos e conquistar uma das cadeiras do Legislativo estadual.

“Eu esperava um pouquinho mais. A minha ideia era fazer 40 mil votos, mesmo no nosso mapeamento, na nossa métrica. Eu tinha cidade por cidade mapeada para que a gente pudesse fazer tantos votos, tantos votos para chegar aos 40 mil”, afirmou.

Apesar de não ter alcançado o objetivo, o ex-prefeito disse que aceita o resultado e não guarda ressentimentos. Segundo ele, a campanha exigiu dedicação ao longo de aproximadamente um ano e meio, com viagens frequentes por municípios catarinenses.

“Fizemos 25 mil votos. Volto a dizer, entendo o resultado das eleições. […] Não tenho vergonha nenhuma de ter feito 25 mil votos. Aliás, foram muito trabalhados”, declarou.

Um dos principais pontos da entrevista foi a avaliação sobre o desempenho do MDB. Para Koch, o partido enfrenta dificuldades para se conectar com o eleitorado e precisa rever seu posicionamento político, suas alianças e a maneira de conduzir as campanhas.

“Eu faço parte de um partido político, o MDB, que já está ultrapassado. A gente já vinha sentindo isso durante a campanha”, afirmou.

Na avaliação do ex-prefeito, o crescimento de candidaturas identificadas com a direita e a utilização intensiva das redes sociais tiveram influência no resultado eleitoral. Ele destacou o alcance de vídeos curtos, transmissões ao vivo e publicações diárias como ferramentas que ajudaram candidatos a conquistar votos.

“É uma nova geração, é um novo momento político. É pena que talvez a política tradicional se deixe de lado, onde as pessoas chegam mais perto uma da outra, cumprimentam mais, conversam mais, tocam as mãos, apertam as mãos. Ficou muito frio pelas redes sociais”, analisou.

Koch também apontou a redução das bancadas como um sinal de alerta para o MDB. Segundo ele, o partido passou de seis para quatro deputados estaduais e de três para um deputado federal.

O ex-prefeito defendeu que a legenda promova uma discussão interna para definir os próximos passos e encontrar formas de se adaptar ao novo cenário político.

“O MDB tem que se conversar, sentar, reciclar, ver o que é que vai sobrar”, disse.

Ele também criticou a postura do partido em relação aos governos estaduais nos últimos anos. Na avaliação de Koch, as alianças políticas e as mudanças de posicionamento às vésperas das eleições prejudicaram a imagem da sigla.

Ao analisar os fatores que contribuíram para o resultado, Koch destacou a presença de outros candidatos com atuação regional e bandeiras semelhantes. Entre eles, citou o delegado Ulisses Gabriel, eleito deputado estadual, e Beto Kuerten, de Braço do Norte.

Segundo Koch, a disputa entre candidatos com bases eleitorais próximas acabou fragmentando os votos na região Sul.

“São três candidatos na mesma região, três candidatos no mesmo quase espectro, pode-se dizer, e aí dividiu-se o voto. E quem teve uma estrutura maior acabou levando mais votos”, avaliou.

Outro fator apontado foi o desempenho abaixo do esperado na região da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec). Koch afirmou que a meta era conquistar aproximadamente 20 mil votos na região, mas a votação ficou entre 11 mil e 12 mil.

“Nós perdemos de 8 mil a 8 mil votos aqui na região da Amrec”, disse, referindo-se à diferença entre a expectativa e o resultado obtido.

O ex-prefeito também comentou a participação do deputado estadual Volnei Weber, que apoiou sua candidatura após desistir da disputa à reeleição. Segundo Koch, o parlamentar ajudou a reunir lideranças políticas, mas a transferência de votos não ocorreu integralmente.

“Tu não consegues transferir todos os teus votos, né? Nenhum político, por mais forte que seja, transfere os votos. Ele transfere os seus cabos eleitorais”, explicou.

Na avaliação de Koch, caberia à sua própria campanha transformar o apoio das lideranças em votos nas urnas, algo que não ocorreu na proporção esperada.

Agradecimento aos eleitores de Lauro Müller e Orleans

Mesmo diante do resultado abaixo da meta, Koch agradeceu às pessoas que apoiaram sua candidatura. Em Lauro Müller, foram 776 votos. Ele citou colaboradores e lideranças locais que participaram da campanha e contribuíram para o desempenho no município.

“Fico agradecido, 776 votos em Lauro Müller. Temos nossos amigos, o Afonso que me ajudou, o Assis que esteve à nossa frente, o Nestor, o próprio Nel ali do Guatá. Então, na verdade, são pessoas que ajudaram a gente, fico feliz e agradeço a todos vocês”, declarou.

Em Orleans, sua principal base política, o candidato recebeu cerca de 4,1 mil votos. Koch avaliou positivamente a votação, embora reconheça que poderia ter alcançado um número maior.

“Eu fiz 4 mil votos, poderia ter feito mais, mas teve o próprio delegado Ulisses que fez 3 mil votos”, comentou, ao citar a disputa pelo eleitorado local.

Ele afirmou que pretendia levar à Assembleia Legislativa pautas relacionadas à saúde, ao combate ao feminicídio e ao fortalecimento dos municípios.

“Eu só queria trabalhar, eu só queria ser municipalista, eu queria falar sobre feminicídio, eu queria falar sobre saúde, essa foi a minha proposta. Eu consegui convencer 25 mil pessoas”, afirmou.

Koch descarta nova candidatura e pretende descansar

Com uma trajetória que inclui passagens pela Câmara de Vereadores, pela Prefeitura de Orleans e pela Polícia Civil, Jorge Koch afirmou que a experiência na disputa estadual trouxe novos conhecimentos, amizades e contato com diferentes realidades da região Sul.

Ele relatou ter visitado repetidamente os 45 municípios da região durante a campanha, participando de eventos e conversando com lideranças locais.

“Para mim foi um momento de riqueza em conhecer diversas pessoas, em poder dizer que eu conheci todas as nossas cidades aqui do Sul, e que eu tentei colaborar, eu tentei participar do processo eleitoral”, avaliou.

Sobre os próximos passos, Koch afirmou que pretende descansar até depois do Carnaval de 2027, quando deverá conversar com seus grupos políticos para definir novas atividades. Ele demonstrou interesse em continuar contribuindo com a política, mas sem necessariamente disputar eleições.

“Mas o Jorge candidato, não. Já passou a minha época. Eu gostaria de pegar um grupo de pessoas, pegar um grupo de políticos que queiram fazer, continuar a política, e estar incentivando, apoiando e ficar apoiando esse pessoal”, declarou.

Questionado sobre uma possível candidatura à Prefeitura de Orleans nas próximas eleições municipais, ele descartou a possibilidade e usou uma comparação para explicar sua avaliação sobre o momento de encerrar uma trajetória eleitoral.

“O político também tem data de vencimento. O político não é ad aeternum, ele nunca vai vencer. Então, quando a data de vencimento do político chegou, se ele quiser sair numa boa, ele também tem que ter feito essa análise”, afirmou.

Koch acrescentou que talvez sua própria “data de validade” como candidato tenha chegado nas eleições deste ano. Apesar disso, indicou que pretende continuar próximo da política e apoiar novas lideranças.

Ao final da entrevista, o ex-prefeito também comentou o cenário nacional e a disputa presidencial. Koch defendeu uma mudança de governo e manifestou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro, associando sua expectativa à necessidade de mudanças na economia brasileira.

Ele afirmou, porém, que o resultado eleitoral deve ser respeitado e que os vencedores precisam governar sem ampliar a polarização política.

“Quem ganha, pelo amor de Deus, também não precisa estar dando de chicote, não precisa humilhar, não precisa levar mais ódio já ao povo brasileiro”, declarou.

Koch também defendeu medidas para aliviar a situação da classe média e estimular os empresários a investir no país.

Ao encerrar a participação na Cruz de Malta FM, o ex-prefeito agradeceu à emissora pela parceria e pela oportunidade de avaliar publicamente o resultado da campanha. Ele reforçou que, neste momento, pretende descansar e refletir sobre como poderá continuar contribuindo com a vida pública sem necessariamente voltar às urnas.

Ouça a entrevista completa: