Santa Catarina mantém, em 2026, índices de destaque na doação de órgãos. Até agosto, o Estado alcançou 45 doadores efetivos por milhão de habitantes (pmp), superando a taxa registrada em todo o ano de 2025, de 42,8 doadores por milhão.
O cenário e os principais desafios da área foram discutidos pelo coordenador da SC Transplantes, doutor Joel de Andrade, em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta sexta-feira (25).
Segundo o médico, um dos principais fatores para o desempenho catarinense está na preparação dos profissionais que atuam diretamente no atendimento às famílias de potenciais doadores. Ele explica que o processo não depende apenas de campanhas de conscientização.
“Muitos giram em torno da questão da educação e do preparo dos profissionais de saúde. Existe muita gente que imagina que a doação de órgãos se resolve com campanha, com propaganda. E isso não é verdade.”
Andrade destaca que a rotatividade dos profissionais nas instituições de saúde exige que os treinamentos sejam realizados continuamente. De acordo com ele, a SC Transplantes mantém uma atividade consistente de capacitação, mas precisa renovar constantemente o conhecimento das equipes.
Para o coordenador, a mudança na percepção da sociedade sobre a doação de órgãos também está relacionada à qualificação dos profissionais responsáveis por conversar com as famílias em situações críticas.
Nos últimos anos, segundo Andrade, mais de 3 mil profissionais foram capacitados em comunicação em situações críticas no Estado. A proposta é preparar médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais para oferecer informações de maneira clara e humanizada.
“É utópico pensar que a gente consegue resolver falta de conhecimento e preconceito com campanhas publicitárias. Então, o nosso foco é em treinar pessoas”, afirmou.
O modelo adotado em Santa Catarina tem como referência a experiência da Espanha, país que apresenta índices elevados de doação de órgãos. O coordenador explica que o Estado adaptou conceitos do modelo espanhol à realidade catarinense.
Resultado catarinense supera média nacional
Enquanto Santa Catarina chegou a 45 doadores por milhão de habitantes em 2026, Andrade destacou que a média brasileira registrada no ano passado ficou pouco acima de 20 doadores por milhão.
Segundo o coordenador, o desempenho catarinense também se aproxima dos indicadores internacionais. A Espanha, citada como referência mundial, registrou índice próximo de 50 doadores por milhão.
Santa Catarina mantém resultados elevados desde 2017, quando ultrapassou a marca de 40 doadores por milhão de habitantes.
Conversar com a família é fundamental
Durante a entrevista, Joel de Andrade reforçou uma orientação para quem deseja ser doador: comunicar essa decisão à família.
“Se você é um doador de órgãos, converse com a sua família. No café da manhã, almoço, jantar, em qualquer outro momento […] explica para a sua família que, caso você morra nessas condições, que é a morte encefálica que permite ser doador, você gostaria de ser um doador.”
O coordenador também esclareceu que a autorização familiar é necessária para a efetivação da doação. A família assina um termo de consentimento e, segundo Andrade, essa decisão normalmente segue a vontade manifestada anteriormente pelo potencial doador.
Ele ressaltou ainda que a maioria das pessoas não conversa previamente com os familiares sobre o assunto. Nessas situações, as equipes de coordenação de transplantes atuam junto à família, esclarecendo dúvidas e apresentando a possibilidade da doação.
Para Andrade, falar sobre o tema antecipadamente pode facilitar a tomada de decisão em um momento de grande dificuldade emocional.
Ouça a entrevista completa com o coordenador da SC Transplantes, doutor Joel de Andrade:

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