Urussanga relembra nesta quinta-feira (10) os 42 anos de uma das maiores tragédias da história da mineração brasileira. Em 10 de setembro de 1984, uma explosão na Mina Santana, na comunidade de Santana, provocou a morte de 31 trabalhadores. O acidente deixou marcas profundas em Urussanga e também em municípios vizinhos, entre eles Lauro Müller, que teve moradores entre as vítimas.
Desde 2025, a data passou a ser oficialmente reconhecida pelo município como Dia de Luto Oficial, por meio da Lei Municipal nº 3.221, de autoria da vereadora Teresinha Zanatta (PSD) e aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores.
Em entrevista concedida ao programa Cruz de Malta Notícias, nesta quarta-feira (9), a vereadora explicou que a criação da lei surgiu da necessidade de preservar a memória das vítimas e de suas famílias.
“Essas pessoas, essas famílias precisavam de uma data para lembrar e que fosse uma data que isso não voltasse nunca mais a acontecer”, afirmou Teresinha.
A parlamentar contou que guarda lembranças pessoais do dia da tragédia. Nascida em 1971, ela tinha idade suficiente para compreender parte do que acontecia e morava nas proximidades do hospital de Urussanga, para onde os corpos das vítimas foram levados.
“Eu lembro o quanto a cidade ficou em choque. Não parava de chegar os carros com as pessoas mortas aqui no hospital, próximo à minha casa”, relatou.
Segundo Teresinha, inicialmente a população não tinha dimensão da proporção do acidente, mas a gravidade do episódio rapidamente ganhou repercussão nacional.
“E foi realmente uma tragédia. Hoje a gente lembra com muita tristeza”, destacou.
A vereadora também ressaltou que o acidente contribuiu para ampliar as cobranças por melhorias na segurança da atividade mineradora.
“Depois daquela tragédia, os equipamentos de segurança, toda a parte de segurança da mineração começou a ser cobrada. E aí foi dali em diante que começaram a ter um pouco mais de controle”, explicou.
Homenagens às vítimas
As homenagens aos 31 trabalhadores começam nesta quarta-feira (9), às 19h, com uma missa na comunidade de Santana, realizada em conjunto pela comunidade e pela paróquia.
Na quinta-feira (10), data que marca os 42 anos da tragédia, será realizada uma deposição de coroa de flores no Monumento ao Mineiro, também na comunidade de Santana. A cerimônia contará ainda com toque de silêncio em respeito às vítimas e aos familiares.
As bandeiras permanecerão a meio-mastro em todo o município durante o Dia de Luto Oficial.
“Na hora da deposição de flores, o toque de silêncio, em respeito às famílias, porque foram esposas, filhos, mães, enfim, muita gente não só de Urussanga, mas dos municípios, bairros, não somente de Santana, também os bairros vizinhos”, explicou a vereadora.
Teresinha destacou que, por ser uma cidade de pequeno porte, a memória das vítimas permanece muito presente entre os moradores.
“Urussanga é uma cidade pequena, todo mundo se conhece, e a gente fala: ‘Ah, o meu pai faleceu, o meu irmão, o meu tio, o meu primo’. Então isso choca muito”, afirmou.
A tragédia também atingiu trabalhadores de municípios vizinhos. Segundo a vereadora, moradores de Lauro Müller também estavam entre os trabalhadores mortos na explosão.
Relação com Longarone
Outro fator que contribuiu para a criação do Dia de Luto Oficial foi a relação de Urussanga com Longarone, na Itália, cidade-irmã do município catarinense.
Longarone foi atingida pela tragédia da barragem de Vajont, em 1963, que provocou milhares de mortes. A cidade italiana possui uma data oficial de luto, e Teresinha conta que essa referência despertou a discussão sobre a criação de uma homenagem semelhante em Urussanga.
“Nós temos uma cidade irmã, de gemellaggio com Longarone. Em Longarone também teve uma tragédia, a tragédia do Vajont, onde morreram muitas pessoas naquela cidade. E nós temos uma lei que declara o luto oficial”, explicou.
A partir disso, segundo a vereadora, surgiu a reflexão: “A gente tinha um dia de luto por Longarone e não tinha um dia de luto pela nossa cidade”.
A proposta foi apresentada e aprovada por unanimidade pelo Legislativo municipal.
Vereadora avalia cenário político de Urussanga
Durante a entrevista, Teresinha Zanatta também comentou o atual momento político de Urussanga. Para ela, o município vive uma fase de maior estabilidade depois de anos marcados por afastamentos, conflitos e problemas envolvendo administrações anteriores.
“Eu entrei na política justamente porque eu estava descontente com as administrações anteriores”, afirmou.
A vereadora está em seu primeiro mandato e contou que decidiu buscar preparação antes de ingressar na vida pública.
“Se eu quero entrar na política, eu tenho que estudar para saber o que eu vou fazer lá”, relatou, mencionando a formação realizada pelo RenovaBR, escola de formação de lideranças políticas.
Na avaliação da parlamentar, os problemas políticos enfrentados pelo município nos últimos anos acabaram prejudicando o desenvolvimento de Urussanga.
“A cidade ficou muito à mercê, porque quando uma cidade passa por todo aquele período de prefeito afastado, prefeito volta, tu não consegue desenvolver um bom trabalho”, disse.
Atualmente, a prefeitura é comandada pela prefeita Stela, do MDB. Teresinha, que é filiada ao PSD, afirma que procura manter uma postura independente na Câmara.
“O que é correto é correto, eu vou parabenizar, eu vou elogiar, e o que está errado eu vou ser contra, eu vou cobrar”, afirmou.
Segundo ela, o ambiente político está mais tranquilo, embora as divergências entre situação e oposição continuem fazendo parte da rotina do Legislativo.

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