A Defesa Civil de Santa Catarina realizou, na última sexta-feira (7), uma vistoria em trechos da SC-390, na Serra do Rio do Rastro, em Lauro Müller, para identificar pontos com possibilidade de quedas de pedras e barreiras. A avaliação contou com a participação do secretário adjunto de Estado da Defesa Civil, Ademir Honorato, além de representantes da Defesa Civil regional.
Durante a vistoria, foram analisadas principalmente as condições de árvores de grande porte próximas às encostas e o sistema de canalização responsável pelo escoamento da água da chuva. Segundo Honorato, algumas árvores estão inclinadas e, com o crescimento das raízes, podem contribuir para o deslocamento de pedras e do solo.
“Aquelas árvores que estão muito pesadas, grandes e estão praticamente na horizontal, fazendo aquele efeito pêndulo, tipo um pé de cabra ali, mexendo nas pedras, podem trazer para baixo, tanto na parte de pedra quanto na parte de terra”, explicou.
Outro ponto observado foi a situação das canalizações e aduelas existentes ao longo da Serra. O secretário relembrou que, em anos anteriores, uma operação de aproximadamente três meses foi realizada para desobstruir as estruturas responsáveis pelo escoamento da água.
A limpeza foi necessária porque, em períodos de chuva, a água chegou a ocupar a pista da rodovia, provocando danos ao pavimento e contribuindo para processos de erosão.
Agora, a Defesa Civil pretende fazer um levantamento mais detalhado das estruturas. A intenção é verificar a presença de raízes, pedras, terra e possíveis pontos de assoreamento que possam comprometer o funcionamento das canalizações.
“Vamos fazer a verificação tudo certinho para posteriormente ter esse relatório para decidir de fazer a manutenção ou não. Então, como não temos certeza, temos que fazer um levantamento para depois fazer a ação”, afirmou Honorato.
Proteções instaladas na Serra apresentam boas condições
Durante a vistoria, também foram avaliadas as estruturas de contenção instaladas em trechos da Serra do Rio do Rastro. De acordo com o secretário adjunto, as telas de aço e os pinos utilizados na obra continuam apresentando bons resultados.
“Apresenta. Aquilo são todos materiais de alta qualidade, aquelas telas de aço e aqueles pinos. (…) Aquilo ali tem feito efeito, sim”, destacou.
Segundo Honorato, apesar da ocorrência eventual de pequenas pedras, as estruturas de contenção têm cumprido a função de reduzir os riscos de desprendimentos maiores em áreas protegidas.
Serra é considerada um “organismo vivo”
O secretário também chamou atenção para as características naturais da Serra do Rio do Rastro e ressaltou que a movimentação de pedras e do solo faz parte da dinâmica da região.
“A Serra é um organismo vivo. Tanto as pedras quanto a mata. (…) Ela se move, ela realmente trabalha”, afirmou.
Honorato citou como exemplo a queda recente de uma pedra de grandes proporções, que chegou a ter, segundo ele, tamanho semelhante ao de um carro. O material precisou ser retirado pelas equipes que atuam na manutenção da rodovia.
Ele também destacou o trabalho conjunto entre as equipes estaduais e municipais para liberar rapidamente a pista após ocorrências.
Retirada preventiva de árvores pode ser avaliada
Uma das possibilidades levantadas durante a vistoria é a retirada preventiva de algumas árvores que apresentam maior risco de queda ou que possam contribuir para o deslocamento de solo e pedras.
Honorato explicou que o problema não está apenas na árvore em si, mas no impacto que a queda de uma espécie de grande porte pode provocar na encosta.
“As árvores crescem e, quando uma dessas árvores grandes cai, ela não cai sozinha. Ela traz ali 40, 50 metros quadrados de área e toda aquela terra vem para baixo e traz toda a vegetação”, explicou.
A preocupação é evitar que esse tipo de ocorrência comprometa a estabilidade das encostas e dificulte a regeneração da vegetação rasteira, que contribui para a fixação do solo.
A partir das informações coletadas na vistoria, a Defesa Civil deverá elaborar um levantamento dos pontos considerados mais críticos. O material será encaminhado à Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil para avaliação e definição das medidas preventivas que poderão ser adotadas na SC-390.
Segundo Ademir Honorato, o objetivo é antecipar possíveis problemas e reduzir os riscos antes que ocorrências mais graves sejam registradas na Serra do Rio do Rastro.

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