O retorno das sessões ordinárias da Câmara de Vereadores de Lauro Müller marca o início de um segundo semestre que promete ser de debates mais intensos no Legislativo. Em entrevista à Rádio Cruz de Malta, o vereador Lindomar Cataneo, o Irmão (PSD), fez um balanço dos primeiros meses de trabalho, comentou os projetos que devem dominar a pauta da Casa e abordou temas como as obras do Rio Apertado, a aquisição de uma sede própria para o Legislativo e o financiamento da futura área industrial do município.
Na avaliação do parlamentar, o primeiro semestre foi marcado pela tranquilidade e pelo consenso entre os vereadores.
“Foi um primeiro semestre bem tranquilo, com projetos sem grandes polêmicas, bem ao contrário do que terá daqui para frente. Não tivemos nenhum projeto vetado ou veto derrubado”, afirmou.
Segundo Irmão, apesar das divergências naturais, o relacionamento entre os parlamentares evoluiu em comparação com a legislatura anterior. Ele destacou que os debates mais acalorados ocorrem nas comissões, enquanto as discussões em plenário têm sido conduzidas de forma respeitosa.
“Nas comissões a gente lava bastante roupa suja, o que eu acho certo para não levar discussões improdutivas para a população”, comentou. O vereador também ressaltou que, mesmo integrando a oposição, mantém diálogo constante com a administração municipal na busca por soluções para as demandas da comunidade.
Críticas às obras do Rio Apertado
Um dos assuntos que mais despertou críticas durante a entrevista foi o andamento das obras de pavimentação da comunidade de Rio Apertado. Morador da localidade, Lindomar afirmou que a situação já ultrapassou qualquer expectativa da população.
“Aquilo ali não é mais nem novela, já é um filme de terror. Uma palhaçada. Era para a obra ter terminado no início do ano e seguimos sem previsão de conclusão”, disparou.
O vereador explicou que a empresa responsável pela pavimentação já executou boa parte dos serviços, mas a conclusão depende da finalização da drenagem realizada por outra empresa. Segundo ele, a falta de fiscalização tem contribuído para o atraso.
“Hoje temos três trechos onde a falta de drenagem deixou a situação terrível. É buraco em cima de buraco. A comunidade está indignada e a gente escuta diariamente reclamações de pneus estourados e amortecedores danificados”, relatou.
Sede própria sem financiamento
Outro tema debatido foi a possibilidade de aquisição de uma sede própria para a Câmara de Vereadores. Lindomar afirmou que existe consenso entre os parlamentares quanto à necessidade de encerrar os gastos com aluguel, mas defendeu que a compra seja realizada sem a contratação de financiamento.
Para ele, o antigo prédio do INSS seria a melhor alternativa por estar em uma localização central. No entanto, acredita que o município possui condições financeiras para complementar os recursos necessários.
“A Câmara já possui cerca de R$ 900 mil guardados e o município tem saúde financeira para bancar o restante com recursos próprios, sem precisar de financiamento”, argumentou.
Área industrial é prioridade para o futuro do município
Entre os projetos que devem gerar maior debate está o financiamento estimado em R$ 15 milhões destinado à implantação da futura área industrial de Lauro Müller.
Embora reconheça a preocupação com o aumento do endividamento do município, o vereador declarou apoio à iniciativa por entender que ela representa um investimento estratégico para diversificar a economia local.
“Precisamos ter responsabilidade com o endividamento, mas também com o futuro do município. Hoje não estamos preparados para viver sem a mineração e precisamos criar alternativas para que os jovens tenham expectativa de permanecer em Lauro Müller”, afirmou.
Segundo Irmão, o estudo técnico elaborado pela SATC prevê a implantação de 15 lotes industriais de aproximadamente 5 mil metros quadrados, além da execução de toda a infraestrutura necessária, incluindo terraplanagem, pavimentação e uma via paralela à SC-390.
Ele informou ainda que, conforme o Regimento Interno da Câmara, o projeto deverá ser apreciado em até 45 dias.
“A partir de hoje o negócio começa a ter um norte e a discussão entre os nove vereadores tende a ser acalorada”, disse.
Para a primeira sessão após o recesso, o vereador adiantou que levaria à tribuna duas demandas consideradas urgentes: a recorrente falta de água na comunidade de Barro Branco e o aumento de casos envolvendo animais abandonados.

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