A Associação Pró Autismo (APA) de Orleans completa, neste mês de julho, um ano de funcionamento da estrutura de atendimentos, consolidando-se como referência regional no acolhimento e acompanhamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora os atendimentos tenham iniciado em julho de 2025, a entidade foi fundada em 10 de agosto de 2021 e passou três anos estruturando o projeto antes de abrir as portas à comunidade.
Em entrevista a presidente e membro fundadora da associação, Regiane Volpato, destacou que a criação da APA surgiu para suprir uma lacuna no atendimento às crianças autistas do município.
Segundo ela, atualmente a instituição conta com duas fonoaudiólogas, uma neuropsicopedagoga e uma terapeuta ocupacional, oferecendo atendimento especializado às crianças, acolhimento às famílias e orientação às escolas.
“Procuramos prestar esse auxílio às escolas para que o tratamento seja de fato efetivo, pois é difícil encontrar profissionais com conhecimento para atender a criança autista”, afirmou.
A APA conta hoje com uma estrutura voltada ao desenvolvimento das crianças. Entre os espaços disponíveis estão um jardim sensorial, sala de integração sensorial, consultórios de fonoaudiologia e neuropsicopedagogia. A entidade também já planeja ampliar os serviços.
Regiane explica que a associação já recebeu equipamentos para implantar uma sala de música e uma academia voltada ao desenvolvimento psicomotor e à qualidade de vida das crianças, mas ainda busca um espaço físico maior para instalar os novos ambientes.
“Queremos que a criança não venha apenas para a terapia. Queremos prepará-la para a vida adulta, oferecendo oficinas de música, dança e outras atividades”, destacou.
Outro projeto desenvolvido é um grupo de habilidades sociais, destinado às crianças maiores, com foco na convivência em sociedade.
Hoje a associação atende 157 crianças, realizando aproximadamente 700 atendimentos por mês.
O público principal é formado por crianças acima de seis anos de idade. Conforme explicou a presidente, os menores normalmente recebem estimulação precoce na APAE. Após essa idade, apenas os casos de deficiência intelectual severa permanecem na instituição, enquanto as demais crianças passaram a ser encaminhadas para a APA.
Apesar da estrutura já consolidada, a demanda continua superior à capacidade de atendimento.
“A demanda é maior e sempre há crianças em espera. Esbarramos na dificuldade de encontrar profissionais habilitados e também na questão financeira”, ressaltou.
Para manter os atendimentos, a associação conta com recursos dos governos estadual e federal, além do apoio do Município de Orleans, que cedeu o espaço para o início das atividades.
Mesmo assim, Regiane afirma que a sustentabilidade financeira exige trabalho constante.
“A gente sempre se vira nos 30, mas temos muitos parceiros porque a causa é nobre e a comunidade entende a necessidade de apoio. O trabalho não para nunca e temos que ir atrás, pois ninguém vem bater à porta para oferecer.”
Uma das principais fontes de arrecadação é a tradicional Feijoada da APA, realizada anualmente. Neste ano, o evento reuniu mais de 500 pessoas e proporcionou uma arrecadação líquida de aproximadamente R$ 50 mil, recurso utilizado para a manutenção dos atendimentos e da estrutura da entidade.

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