A Câmara de Vereadores de São Ludgero deu mais um passo para a possível instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar o suposto uso irregular de veículos oficiais da Prefeitura. Nos últimos dias, os vereadores participaram de uma reunião com uma assessoria especializada para discutir os procedimentos legais e técnicos necessários para a abertura da comissão.
O tema começou a ganhar maior repercussão em 16 de março de 2026, quando foi aprovado por unanimidade um requerimento apresentado pela vereadora Maria Marlene Schlickmann. O documento solicitava à Prefeitura uma série de informações detalhadas sobre a utilização de veículos oficiais em datas específicas ao longo de 2025.
Na justificativa do requerimento, a parlamentar destacou que pedidos anteriores já haviam sido realizados, mas as respostas encaminhadas pelo Executivo não convergiam com a realidade observada. O texto também ressaltava a necessidade de maior controle sobre o uso dos veículos públicos, o pagamento de diárias e a correta identificação dos trajetos realizados para fins de empenho e indenizações.
Outro ponto levantado foi a ausência de informações claras sobre quem conduzia os veículos nas datas analisadas. Segundo a vereadora, registros de rastreamento de dois automóveis oficiais apontariam deslocamentos que, em tese, não teriam relação direta com atividades institucionais.
Durante entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias desta segunda-feira (25), Maria Marlene Schlickmann afirmou que recebeu denúncias e mensagens de moradores ainda em outubro de 2025 questionando a utilização dos carros oficiais.
De acordo com a parlamentar, após solicitar relatórios dos rastreadores e demais documentos à Prefeitura, ela identificou trajetos considerados suspeitos e pediu esclarecimentos complementares. No entanto, afirmou que as respostas recebidas foram insuficientes.
“Constatamos algumas dúvidas em relação ao uso desses veículos, alguns trajetos que causavam interrogações e precisavam de mais documentação para entender a motivação daqueles deslocamentos”, declarou.
A vereadora também relatou que um novo pedido de informações foi encaminhado em dezembro de 2025, mas a resposta oficial só ocorreu no fim de fevereiro deste ano. Segundo ela, o Executivo informou que toda a documentação necessária já havia sido enviada e que não haveria novos esclarecimentos a prestar.
Diante disso, os questionamentos foram compartilhados com os demais vereadores, que passaram a defender a abertura de uma CPI para aprofundar as investigações e buscar novos documentos e explicações sobre o caso.
Com as orientações recebidas durante a reunião com a assessoria especializada, os parlamentares devem voltar a se reunir nos próximos dias para dar continuidade aos trâmites necessários visando a instalação oficial da comissão.

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