Os trabalhadores da mineração de carvão da região aprovaram, no último sábado (14), durante uma Assembleia Geral Extraordinária Unificada realizada em Siderópolis, a proposta de reajuste salarial apresentada pelos empregadores para a formalização da Convenção Coletiva de Trabalho de 2026.
Durante o encontro, os mineiros analisaram os termos da negociação e deliberaram pela aprovação de um reajuste total de 6%. O percentual é composto pela reposição da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC/IBGE) de 2025, de 3,90%, acrescida de 2,10% de aumento real. Segundo a categoria, o resultado representa um ganho de 53,84% acima do índice inflacionário.
Com a definição do acordo, o piso salarial das minas passa a ser de R$ 4.040,88. Também foram atualizados outros benefícios da categoria, como o abono de férias do sócio, fixado em R$ 2.706,84, e o vale leite/vale alimentação, que passa a ser de R$ 195,00.
A assembleia também aprovou mudanças relacionadas às condições de trabalho. Entre elas está a ampliação do fornecimento de uniformes para atividades no subsolo. Antes limitado a quatro mudas de roupa, o benefício passa a garantir cinco mudas para trabalhadores que atuam nas funções de ajudante PT/BBD, ajudante de minerador, mecânico, operador SCAR, operador LHD e operador de carregadeira.
Outra alteração diz respeito ao benefício pago em caso de morte do trabalhador. O valor, que antes correspondia a cinco pisos salariais da categoria, foi ampliado para seis pisos, oferecendo maior amparo às famílias.
Além do reajuste geral, algumas funções em empresas mineradoras da região conquistaram índices maiores de aumento. O presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Extração de Carvão do Sul do País, Genoir José dos Santos, o Foquinha, explicou que determinadas atividades receberam percentuais diferenciados.
“Algumas funções na Carbonífera Metropolitana, por exemplo, o ajudante de topógrafo, o carpinteiro, o madeireiro e o bombeiro a gente conseguiu um índice de reajuste de 8%. No geral 6%, e para essas atividades 8%. Pro operador de máquinas pesada de superfície, a gente conseguiu além dos 6%, mais um abono de 120 reais. Isso dá em torno de 8,5% no salário. E para os eletricista, além do 6%, mais 50 reais. Está em torno de 6,90%. Para as funções também de mecânico, de madeireiro, mecânico de correia e bombeiro nível 1 da Rio Deserto, a gente conseguiu 9,90% e para os eletricista também nível 1. Para os trabalhadores da Catarinense, operador de Big Brother, que é o pessoal que monitora as câmeras lá, esse pessoal, além do 6%, ainda receberam mais 270 reais no salário. O detonador também da Catarinense, além de — dos 6%, também recebeu mais 270 reais. Então teve algumas atividades que a gente conseguiu um índice melhor do que o 6. Não para todo mundo, no geral foi 6%, mas teve algumas atividade que teve uma — uma melhora”, detalhou.
Ouça a entrevista completa com Foquinha:
O diretor executivo do Sindicato da Indústria de Extração de Carvão do Estado de Santa Catarina, Márcio José Cabral, destacou que, apesar de a negociação ter sido mais demorada, o resultado final foi considerado positivo para trabalhadores e empresas.
“Uma negociação coletiva de convenção coletiva de trabalho é como se fosse um elástico, né? Ela vai e volta, ela tem ciclos e foram cumpridos esses ciclos. Do tempo em que cada um precisava para saber até onde poderia chegar, para saber até onde poderia ir. E acredito que dentro de toda a conversa que houve, todas as discussões, as deliberações foram satisfatórias para todos os lados. Então, isso é o mais importante. Termos a aprovação do empresário e a aprovação do trabalhador para que se continue com uma nova convenção por mais um ano. Então, o saldo no final de tudo foi positivo e demonstrou a necessidade de todas as negociações desse processo que exige paciência dos dois lados. Paciência, tranquilidade e percepção das suas realidades para que se chegue ao melhor acordo. Então, entendemos que foi um bom acordo para os dois lados e agora volta-se a se pensar no setor como um todo”, destacou Cabral.
Ouça a entrevista completa com Coronel Cabral:

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