O fisioterapeuta Diego Cifuentes, idealizador do projeto de handebol em Lauro Müller, participou de entrevista nesta segunda-feira (2) no programa Cruz de Malta Notícias para apresentar sua versão sobre o seu desligamento do cargo público que ocupava há 24 anos e o encerramento de sua participação na iniciativa esportiva.
O desligamento do servidor ocorreu após a abertura de um processo administrativo municipal. De acordo com Diego, a medida foi motivada pelo atendimento, como fisioterapeuta da rede municipal, a um atleta do projeto que não residia em Lauro Müller, mas integrava oficialmente a equipe e representava o município nas competições. O jovem teria sofrido uma lesão ligamentar no joelho às vésperas da disputa estadual.
Diego afirmou que foi desligado do cargo efetivo sob a justificativa de irregularidade no atendimento. Ele contesta a decisão e afirma que prestou assistência visando a recuperação do atleta que representava o município.
“Eu trouxe esse menino para a fisioterapia, para a reabilitação, porque ele tinha pouco tempo. A gente tinha mais ou menos ali umas duas, três semanas para conseguir voltar no nível técnico para a competição. Diferente, na verdade dos outros pacientes, que o tratamento do atleta é diferente. E talvez a população não consiga entender isso. Na verdade não houve “fura de fila”, né, como a prefeitura se manifestou que houve fura-fila… não teve, porque os atendimentos se mantiveram normalmente. Simplesmente a gente fez um encaixe dele, lá no setor de fisioterapia. E esse encaixe, na verdade, para quem é fisioterapeuta sabe que o tratamento do atleta é diferente da população, né? Então a gente focou, na verdade, no trabalho de fortalecimento e pliometria, que é o que a população normalmente não faz. Então, em momento algum ele ocupou equipamento ou ocupou material que a população ficou desguarnecida. Não houve, não teve isso. Simplesmente ele foi fazer os exercícios e a parte pliométrica, que é focada para o atleta no setor da fisioterapia. Então acho que precisa ficar claro isso para a população, é que em momento algum a gente deixou de atender alguém da população para atender ele, não teve isso”, explicou Diego.
O fisioterapeuta informou durante a entrevista que irá recorrer da decisão da prefeitura de forma judicial.
“O que que pode acontecer, daqui a uns anos o município vai ter que me pagar uma indenização, todos os salários atrasados, uma indenização e multa. Então isso é um custo para o município, né? Então eu imagino que a gestão, na verdade, ela deveria se preocupar com o dinheiro da população, né? Deveria se preocupar com o dinheiro da população, saber onde está sendo bem aplicado, bem investido, e não criar esse tipo de situação, esse tipo de desconforto, né?”
Diego também denunciou um clima tóxico no ambiente da secretária de saúde por conta da pressão existente contra os funcionários.
“Hoje na Secretaria Municipal de Saúde, o ambiente de trabalho é tóxico. Ele é um ambiente tóxico, ele não é um ambiente de saúde, né? Então assim, infelizmente os funcionários da saúde, eles adoecem a cada dia, né, justamente por causa dessa pressão, né, que é realizada pela Secretária Municipal de Saúde, pela gestão municipal. É triste isso, né? As pessoas que se dedicam tanto tempo e a gente tem muitos profissionais concursados de carreira no município que se dedicaram durante muitos anos, se dedicam muitos anos a prestar um bom serviço de qualidade para o município, né? E a gestão fazer esse tipo de situação com os funcionários é triste, é realmente muito triste.”
O fisioterapeuta e idealizador do projeto de handebol também reiterou a falta de apoio do município para a modalidade esportiva. A equipe conquistou destaque e chegou a figurar entre as melhores do estado. Em 2025, o grupo alcançou a classificação para a fase estadual da OLESC — considerada a principal competição da categoria cadete (sub-16) em Santa Catarina. Segundo Diego, foi a única modalidade esportiva do município a conquistar vaga na competição naquele ano. E o único apoio que recebeu do município foi um ônibus escolar para levar os atletas até a competição. As demais despesas foram arcadas pelos pais e patrocinadores do projeto.
Ouça a entrevista completa:

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