O projeto de lei que prevê a redução da jornada de trabalho tem gerado preocupação no setor produtivo de Santa Catarina. O tema foi debatido nesta semana pelo Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (COFEM), que reúne as principais entidades representativas da economia do estado.
Para as lideranças empresariais, por se tratar de uma mudança estrutural com impactos profundos na economia, no emprego e na competitividade do país, a proposta exige uma análise técnica detalhada, baseada em dados e estudos consistentes.
Durante o encontro, representantes das entidades alertaram para o risco de o debate ser influenciado por interesses eleitorais, especialmente por ocorrer em ano de eleição, o que pode comprometer a busca por soluções sustentáveis e equilibradas.
Santa Catarina registra uma das menores taxas de desocupação do país, com índice de 2,3% no terceiro trimestre de 2025, e já enfrenta dificuldades para preencher vagas em diversos setores. Dados setoriais indicam retração na oferta de profissionais, como no transporte rodoviário, que apresentou redução significativa no número de caminhoneiros na última década.
O setor produtivo também aponta possíveis impactos econômicos da medida. Estudos da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que a migração para uma jornada semanal de 36 horas pode elevar em cerca de R$ 178 bilhões por ano os custos diretos da indústria.
As entidades reforçam que não são contrárias ao debate sobre a jornada de trabalho, mas defendem que a discussão seja conduzida com profundidade técnica, diálogo e responsabilidade, distante de disputas eleitorais.
O vice-presidente da Regional Sul da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Edilson Zanatta, comentou o tema em entrevista ao programa Cruz de Malta Notícias, nesta quinta-feira (19).
Ouça a entrevista completa:

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